O cidadão brasileiro precisa acreditar que a sua força de transformação vai muito além do gesto de confirmar o voto na urna eletrônica.
O cidadão brasileiro precisa acreditar que é capaz de fazer valer a vontade da maioria durante qualquer governo. Para isso, é preciso apenas se unir a tantos outros que também não costumam fugir à luta.
O cidadão brasileiro precisa acreditar que uma multidão na rua, com convicções comuns, é o acontecimento que mais amedronta o político desonesto e incompetente.
Cada grito, cada faixa, cada cartaz, cada passo em sincronia, fazem o mau político - aquele que desafia cinicamente o rigor da lei - lembrar que ali está seu maior adversário, a indignação popular.
Desta vez, a data escolhida para uma série de manifestações País afora não poderia ser mais sugestiva: 13.
O mesmo número eleitoral do partido que comanda o governo há 13 anos, com sucessivos escândalos, desde a compra de apoio parlamentar - o famigerado Mensalão, passando por financiamentos suspeitos nas campanhas eleitorais, e chegando à instalação de um grupo criminoso no coração da Petrobras, antes uma empresa pública muito respeitada e que hoje se desdobra para recuperar as finanças e a credibilidade perdidas.
Domingo é 13, como 13 é o número do ex-presidente Lula, acuado diante de tantas evidências de tráfico de influência, crítico dos propósitos e dos esforços da Operação Lava Jato, uma investigação ímpar na história da República.
Há mais motivos para agirmos. À desilusão causada por uma gestão corrupta, soma-se o desapontamento com todas as chagas criadas pela ineficiência da política econômica: a recessão, a inflação, o desemprego e a elevação de impostos.
É fácil entender os motivos que levam quase dois terços dos eleitores a classificar o governo de Dilma Rousseff como ruim ou péssimo, segundo a última pesquisa Datafolha, publicada recentemente.
Se a maioria colocou o PT no governo, hoje quase a totalidade da população já percebeu que o partido tem um único objetivo: perpetuar-se no poder e nele misturar os próprios interesses com o interesse público.
O 13 do próximo domingo não tem a tecla confirma. Nas ruas, o povo vai pressionar um grande "Não" contra esta forma de governar, exigindo o aprofundamento de todas as investigações e a punição dos envolvidos, inclusive dos mais poderosos.
Nós, os londrinenses, somos um exemplo de como uma mobilização popular, com o envolvimento decisivo da sociedade civil, é eficiente para controlar o comportamento dos governantes.
Menos de 20 anos atrás nos erguermos contra a corrupção, resistimos, avançamos e derrotamos os inimigos do povo. Se hoje a cidade vive uma calmaria neste aspecto é porque a população é vista como forte e vigilante por quem a governa.
Daquela experiência, surgiu a necessidade de se implantar na cidade um órgão de fiscalização permanente. Hoje, o Observatório de Gestão Pública tem comprovada eficácia no desafio de controlar as contas municipais. Eis um legado que saiu das ruas para servir às futuras gerações.
Portanto, Londrina avisa: o mesmo processo pode e deve se repetir no Brasil.
Se você acha que está tudo bem e não há nada a fazer, fique em casa. Nossa democracia permite pontos de vista divergentes.
Mas se você é um cidadão que está preocupado com os rumos do País, a marcha contra a corrupção é o seu lugar no domingo. É como ir à urna para dar outro recado. Nada secreto, bem barulhento, para todo mundo ouvir. Nossa democracia precisa disso mais do que nunca. Não hesitemos.

VALTER LUIZ ORSI é presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina

■ Os ar­ti­gos de­vem con­ter da­dos do au­tor e ter no má­xi­mo 3.800 ca­rac­te­res e no mí­ni­mo 1.500 ca­rac­te­res. Os ar­ti­gos pu­bli­ca­dos não re­fle­tem ne­ces­sa­ria­men­te a opi­nião do jor­nal. E-­mail: opi­niao@fo­lha­de­lon­dri­na.com.br

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