ESPAÇO ABERTO
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 03 de fevereiro de 2016
Daniele Aparecida de Paula Angelo 
Em um mercado sensibilizado pelas externalidades negativas provocadas pelo modelo de produção e consumo prejudicial ao meio ambiente, a temática sustentabilidade tornou-se imperativa e emerge como uma competência distintiva de valorização e promoção de marcas no mercado internacional.
Nesse cenário, os exportadores são pressionados a rever seu posicionamento estratégico e introduzir ações sustentáveis que equilibrem os aspectos ambientais, sociais e econômicos através de quatro fatores: inovação tecnológica, comunicação estratégica, valores organizacionais e engajamento dos colaboradores.
Por meio da inovação tecnológica é possível implantar processos substitutos que possibilitem a utilização integral ou a menor utilização de matéria prima, estratégias de pós-consumo eliminando os desperdícios atuais, consumir menos água mediante o uso racional, reutilizar e/ou reciclar resíduos.
A comunicação estratégica é a ferramenta que comunica ao consumidor a inovação tecnológica implantada e geradora de produtos sustentáveis, ferramenta que ainda pode ser utilizada como estratégia de marketing sem ferir a ética e a transparência com os stakeholders (público estratégico).
Quanto aos colaboradores, menciona-se que eles devem entender os princípios e os pilares da sustentabilidade para que sejam capazes de aplicá-los. Nesse processo, o Departamento de Recursos Humanos pode desempenhar papel fundamental ao desenvolver nos indivíduos as competências para a sustentabilidade.
Os valores organizacionais devem suportar a filosofia socioambiental empresarial a partir de uma cultura de gestão que fortalece a sustentabilidade.
A adoção da gestão estratégica sustentável, se bem entendida e aplicada na organização, tem efeito sinérgico no desenvolvimento empresarial, econômico, social e ambiental, podendo atingir patamares mais elevados de sustentabilidade e proporcionar maior competitividade e confiança aos consumidores internacionais.
Além disso, empresas que planejam sua gestão estratégica sustentável estão mais aptas a oferecer produtos e serviços que são almejados pelo consumidor consciente ambientalmente, representando menor risco para operações com os públicos com que se relacionam.
Primando pela diferenciação sustentável de seus produtos e por atender ao novo padrão de consumo postulado por clientes mais exigentes no que diz respeito ao produto e mais conscientes no que tange ao processo produtivo, as indústrias calçadistas brasileiras criaram em 2012 uma ferramenta para fortalecer a competitividade nos mercados internacionais e ampliar suas exportações: O Selo de Sustentabilidade, desenvolvido pelo Laboratório de Sustentabilidade (Lassu) da Escola Politécnica (Poli) da USP, em parceria com a Associação Brasileira de Empresas de Componentes para Couro, Calçados e Artefatos (Assintecal), a Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) e o Instituto By Brasil.
Tendo como pano de fundo o dinamismo que as exportações brasileiras trazem para a economia do País, considerando que o Brasil se enquadra na 22ª posição no ranking dos países exportadores segundo relatório da Organização Mundial do Comércio (OMC), em 2013, a indústria brasileira há que se atentar para as exigências ambientais nessa dinâmica do mercado internacional.
Além do sentido de ambientalmente correto, o desenvolvimento sustentável trabalha com o socialmente justo e economicamente viável. Em decorrência disso, o desenvolvimento de práticas sustentáveis ganha notório reconhecimento quando trazido para a realidade comercial e, em especial, para as relações entre países.
Investir em sustentabilidade é pensar no futuro, reduzir custos, gerar negócios em âmbito internacional e consequentemente aumentar a margem de lucro. Qual a sua decisão?
DANIELE APARECIDA DE PAULA ANGELO é aluna especial do programa de pós-graduação em Administração (PPGA) da Universidade Estadual de Londrina
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