ESPAÇO ABERTO
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sexta-feira, 22 de janeiro de 2016
Gerson Vasconcelos Luz 
Há 35 partidos registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Somente de 2011 para cá, foram oficializadas 8 legendas, das quais 3 em 2015 Novo, Rede e PMB. Sem dúvida, um número bastante expressivo em termos de quantidade. Mas o que deve assustar o eleitor (e o não eleitor) não é a quantidade e sim a seguinte questão: quantos partidos são necessários para que o povo possa ter voz legislativa e executiva através de representações num estado democrático?
Certa feita (em 2013), quando perguntado sobre o número de partidos existentes, o atual vice-presidente da República, Michel Temer (PMDB), disse: "No plano legal, é perfeitamente legítima a criação de novos partidos. Embora seja legal, politicamente é inadequado. Há muitas siglas partidárias no Brasil e esse número excessivo não é útil para o País". Na visão de Temer, no foco político, quanto menos partidos, melhor; pois isso favoreceria qualitativamente uma melhor representação de parcelas do pensamento da população. Com isso, teríamos escolhas mais coesas.
Na perspectiva do referido político, se encolhêssemos o número de partidos poderíamos ganhar em termos qualitativos. Porém, muitos parecem discordar dessa lógica. Numa pesquisa rápida na internet pode-se listar mais de 15 nomenclaturas em processo de coleta de assinaturas para protocolarem pedido de oficialização no TSE.
Entre os pretensos novos partidos, alguns podem soar cômicos ao leitor desavisado. É o caso do Partido Pirata. Pirata, como assim? Outros, podem parecer avesso à democracia como, por exemplo o Partido Militar Brasileiro, de ideologia militarista e nacionalista. Há também a Nova Arena cujo nome parece almejar remeter aos idos de 1964-1985.
Invés de uma busca pela união em torno de ideais comuns, a dinâmica do pensamento político brasileiro parece buscar cada vez mais uma aglomeração em blocos aparentemente diferentes. Mas, essencialmente, em que diferem entre si? Por que esse pensar segmentado, levantando estandartes do tipo, cristãos, militares, mulheres, isso e aquilo?
Considerando os partidos como um todo, observa-se que o quadro lembra uma colcha de retalhos das mais diversas cores, tamanhos, desenhos e tipos. Do ponto de vista estético, bonito! Mas, a arte não é uma necessidade primeira no mundo da política. A questão é (novamente), a colcha de retalho está interessada em cobrir o todo?
Ao que parece, há uma tentativa de continuar mantendo uma tendência muito mais à dispersão das vontades políticas do povo do que em procurar uma formulação que faça o poder que emana do povo convergir para uma ideia de voz da maioria. Nota-se que não há interesse em estabelecer um diálogo no sentido de fundir legendas já existentes criando unidades mais fortes (ou, se há, não tem se feito notar). Por que fortalecer a vontade do povo, se a mantendo frágil é mais fácil dominá-la? Se alguém deve tomar partido nessa questão e mudar a direção do trem são os cidadãos. O ambiente político precisa há muito ser renovado não só em relação às siglas, mas também em termos políticos; é necessária uma reforma dos políticos.
GERSON VASCONCELOS LUZ é professor professor colaborador na Universidade Estadual do Norte do Paraná (Uenp) em Jacarezinho
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