Lesões no corpo e na alma
Sylvio do Amaral Schreiner


Infelizmente é muito comum encontrar pessoas, principalmente adolescentes, que praticam automutilações. A prática acontece quando o próprio sujeito perfura a pele com objetos cortantes, formando feridas dolorosas que se transformam em cicatrizes gritantes de um estado de mente que clama por ajuda. Mais frequente entre garotas - mas também presente nos garotos -, a automutilação é um sintoma de que algo vai muito mal.
Realizar tal ato parece fugir da lógica racional. Algumas pessoas podem se perguntar: "Como assim alguém vai se machucar propositalmente?". A mente tem outra lógica para funcionar que independe do raciocínio. O inconsciente, pedra angular da psicanálise, tem enorme influência sobre como vivemos e o que fazemos da nossa vida. Viver sem se dar conta do próprio inconsciente é sempre ineficaz e leva a um estado de espírito precário e empobrecido.
Quem se automutila pode fazê-lo por diversas razões que, para cada um, são pessoais. Porém, podemos pensar que esse hábito tem a ver com uma mente que ainda não se formou. O problema de não ter uma mente formada é que não há recursos para lidar com as frustrações da vida. Em vez de as frustrações serem sentidas na mente e nela serem elaboradas e resolvidas, o sujeito transforma a dor emocional que sente em uma dor corporal. Falta mente para dar conta dos processos mentais de maneira mais eficiente.
A pessoa que se automutila envergonha-se de seus atos, encobre-os com roupas compridas e arranja justificativas para o que faz consigo mesmo. Ao se automutilar, procura alívio para o que sente dentro de si e que não consegue tolerar. Só que esse alívio é muito caro e não chega a ser um alívio de fato, já que causa muitos transtornos e vergonhas.
Essas pessoas precisam de ajuda profissional para que encontrem oportunidades de conseguir expressar as suas dores e angústias de forma produtiva. Assim, poderão falar sobre o que sentem e achar meios eficientes de lidar com o sofrimento em vez de jogarem no corpo a terrível dor e angústia a que estão presas. A vida só se torna possível quando construímos uma mente.

SYLVIO DO AMARAL SCHREINER é psicoterapeuta em Londrina

Fazer bom o novo ano
Walmor Maccarini


Tenho escrito que os anos bons são aqueles que fazemos bons. Saudemos, portanto, o advento do novo ano. Temos de nos regozijar por havermos chegado até aqui. Porque somos vencedores. Verdade que chegamos um pouco descrentes uns dos outros, sobretudo dos nossos governantes, mas importa que não nos permitamos ser iguais a eles. Porque ainda é melhor ser vítima do que algoz. Pobres deles, algozes.
Neste começo de uma nova jornada, vamos sempre nos lembrar que somos os senhores de nossas decisões, embora o desânimo e a descrença que em certos momentos nos assolam. Mas não devemos capitular. E saber que se muitos nos subjugam, é porque no mais das vezes temos permitido. Fiquemos vigilantes, mas permitindo que a vida flua. Vamos redespertar nossa porção sábia e soberana, porque esta opera em consonância com as forças superiores, bem mais acima que a atmosfera terrena.
Se no novo ano saudarmos a vida e proclamarmos que são bem-vindos a paz política, o fim dos desmandos governamentais, o dinheiro na medida do necessário, a paz espiritual, esses atributos sintonizarão nossa frequência. Porque os bens da vida, materiais e espirituais, contemplam aqueles que se harmonizam com eles. Nós, cidadãos conscientes, é que conduzimos as situações, e não elas que prevalecem sobre nós. A menos que percamos a fé em nosso próprio poder.
Também não podemos ser muito rigorosos conosco. Não precisamos nos superar a cada dia, porque não somos super-seres. Somos sim superiores em nossa multidimensionalidade. Vamos robustecer nossa paz com a vida, fazer a vida mais leve, nos livrar das velharias materiais e mentais, assim abrindo espaço para o novo; colocar em prática a vida nova que queremos; manter a mente e o coração receptivos para as coisas boas, e aí veremos os milagres acontecerem. O processo da vida, aqui e na vastidão cósmica, se rege por estas leis.

WALMOR MACCARINI é jornalista em Londrina

■ Os ar­ti­gos de­vem con­ter da­dos do au­tor e ter no má­xi­mo 3.800 ca­rac­te­res e no mí­ni­mo 1.500 ca­rac­te­res. Os ar­ti­gos pu­bli­ca­dos não re­fle­tem ne­ces­sa­ria­men­te a opi­nião do jor­nal. E-­mail: opi­niao@fo­lha­de­lon­dri­na.com.br

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