O espírito do Natal

Nesta época do ano ouvimos muito – especialmente nos programas de televisão – a expressão "o espírito do Natal". Esta expressão remete àquelas histórias norte-americanas em que um espírito analisa o passado, o presente e o futuro de uma pessoa e a leva a uma mudança positiva de comportamento. Alguns dizem que o "espírito de Natal" é a melhora das nossas atitudes. Outros, que o "espírito de Natal" é sinônimo de solidariedade, de fraternidade entre os povos. E por aí vai. Concordo que o Natal nos remeta a uma reflexão sobre nossas atitudes, que é tempo de nos abrirmos mais ao outro, de ajudarmos mais ao próximo, etc. Mas resumir o "espírito do Natal" a isso equivale a empobrecê-lo.
Sim, a cultura na qual estamos inseridos aceita a diversidade de credos; cada um acredita no que quiser, vive como lhe aprouver e "ninguém tem nada a ver com isso". No entanto, apesar de estarmos inseridos nesse meio, nós, cristãos, não podemos nos deixar levar por essa visão empobrecida do Natal, que retira a figura de Cristo do Natal e substitui o sentido cristão da festa por um sentido genérico de "solidariedade entre os povos", como se o Natal se resumisse a uma espécie de dia da fraternidade entre os povos.
Natal é mais do que solidariedade ou do que um "espírito" que nos impele a revermos nossas ações; é tempo de ver a Cristo, Rei do Universo, que se fez frágil e indefeso - como todo recém-nascido -, e que se colocou no seio de uma família como tantas outras daquele tempo, e, assim se humilhou desde o seu nascimento, a fim de completar a missão salvífica da humanidade, conforme a vontade de Deus-Pai. Tempo de Natal é mais do que distribuir presentes e dar uma esmola extra para instituições ou pessoas carentes. Natal é tempo de contemplar o Verbo de Deus encarnado e de colocá-lo definitivamente no cume das nossas vidas e das nossas ações. É deixar que Deus conduza a nossa vida, não só no final do ano, ou enquanto tivermos tempo livre, mas deixar que Deus faça Sua vontade para nós, ainda que isso signifique a "complicação" da nossa vida e a humilhação do nosso querer perante o quer d'Ele. Coloquemos Cristo no centro do Natal e de nossas vidas. Não deixemos que as cores e luzes destes dias ofusquem o verdadeiro sentido da festa.

ISABELA DE ARRUDA CAMPOS BACCARIN é advogada em Londrina.



WhatsApp e o delírio do vício

Nas mesas de restaurantes, no trabalho, em festas e até mesmo em casa. Tem gente que não consegue desgrudar do celular. O vício pelo WhatsApp e pelas novas tecnologias tem se mostrado mais assolador e devastador. A necessidade de contar tudo a todos "em tempo real" provoca grande ansiedade e diminui a qualidade das relações verdadeiras, aquelas que enfatizam o toque, o carinho do olhar, do encontro. Estamos criando uma geração inteira de seres individualistas, que não sabem se colocar no lugar do outro, além de não serem capazes de esperar até amanhã para rever alguns sentimentos e pensar antes de agir. O mal do século será a prisão e a alienação das pessoas em função das novas tecnologias, principalmente celulares e smartphones.
Hoje em dia todos andam com os celulares nas mãos. Não conversamos mais, não dialogamos mais, apenas nos falamos via WhatsApp. Pensemos nos diversos grupos que participamos por meio do aplicativo. Quantas besteiras são compartilhadas por não termos tempo para pensar, refletir e avaliar?
Nós, que vivemos a realidade escolar, sofremos uma degradação diária em nosso papel de professor ou gestor por meio do WhatsApp, já que tudo que acontece com uma criança é compartilhado pelas famílias sem o mínimo de ética e bom senso.
As dificuldades de uma criança são divulgadas nos grupos de mães sem o menor cuidado, sem nenhuma reflexão sobre quem irá ter contato com aquelas informações - será que a criança vai ler aquilo? Não raro estas conversas geram situações de conflito no ambiente escolar. Como resultado, temos um instrumento de socialização sendo usado imoralmente, com práticas negativas. Outra consequência é que as crianças não pagam mais o preço por seus erros e esquecimentos. Se deixou algum material em casa, logo envia uma mensagem para a mãe socorrer e levar o objeto esquecido até a escola. E, sem passar por algumas situações, o jovem terá muitas dificuldades na vida adulta e no "mundo real". Que tal nos desconectarmos e voltarmos ao tempo em que os contatos que mantínhamos eram mais pessoais - seja por meio de uma ligação ou de um encontro olho no olho?

ESTHER CRISTINA PEREIRA é psicopedagoga e vice-presidente do Sindicato dos Estabelecimentos Particulares de Ensino do Paraná (Sinepe/PR).

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