Refugiados do caos

Como podemos ficar alheios à situação que se desenrola no Oriente Médio e na Europa? Milhares de pessoas fogem de uma "guerra santa" imposta à base de bombas e tiros, decapitações e mutilações, desrespeito cruel para com seres humanos. Os ditos "cumpridores da vontade de Alá" pregam a injúria, o desrespeito, o extermínio dessas pessoas, que não têm outra opção, a não ser largar tudo para trás (casas, bens e muitas vezes a própria família) e tentar migrar para a Europa em uma viagem cercada de perigos e incertezas.
Essas pessoas cruzam o mar Mediterrâneo, geralmente rumo à Grécia, onde imaginam ser a porta de entrada para a liberdade. Qual será a surpresa que as aguarda? Ao aportar em terras europeias, esses imigrantes recebem olhares de reprovação e repulsa e até mesmo de ódio. As pessoas e os governantes desses países que, pela visão da normalidade, deveriam acolhê-los, os tratam da mesma forma que os algozes que os fizeram fugir de seu país de origem.
Qual seria então a solução para resolver essa questão que tanto incomoda as grandes potências mundiais? Mandar todos de volta e que resolvam seus problemas de forma doméstica? Acolher a todos e resolver o que fazer mais tarde? Deixar a critério de cada país decidir o que fazer? Infelizmente, nenhuma das ideias parecem ser realmente eficazes.
Se por um lado mandá-los de volta seria totalmente desumano, pois provavelmente a maioria deles teria um final trágico, olhando por outro prisma, como fariam os países europeus com suas economias cambaleantes e seus sistemas sociais quase falidos para gerar emprego, moradia, saúde e dignidade para esse povo?
Essa é uma missão para um "super-herói" resolver, pois pelos rumos que os governantes estão tomando, a paz e a liberdade nessa região não chegará tão cedo.
O que podemos vislumbrar diante desses fatos, é que se a intolerância continuar a reinar, poderemos todos em um futuro muito próximo, sermos vítimas de uma catástrofe mundial, porque os intolerantes não medem esforços para insistirem nos erros e estes podem nos levar para nosso fim.

JAMIL INACIO é graduando em Letras Espanhol na Universidade Estadual de Londrina


Presépios no lugar de Noel



Costumo repetir que ainda sou do tempo em que se cultuava o Menino Jesus no Natal. Havia presépios, cânticos natalinos e um clima de paz e reverência nos dias que antecediam essa memorável celebração, especialmente na noite de véspera. Imagino que, nesses dias gloriosos, os anjos desciam dos céus, como ainda hoje, e purificavam as mentes fervorosas das pessoas, porque desde o começo de dezembro todas as hostilidades cessavam. À meia-noite iniciava-se a Missa do Galo. Todos iam à igreja, não antes de nós, crianças, colocarmos sobre a mesa os pratos com milho e capim para os animais do estábulo que haviam testemunhado o sublime nascimento. Na madrugada, chegava o Menino Jesus depositando nos pratos os presentes. Mal dormíamos, ante tamanha expectativa. Em nossa imaginação escutávamos os passos d'Ele entrando.
Hoje as crianças não têm culpa por ignorar o que aconteceu em Belém da Judeia e qual a razão de dar-se o nome de Natal a essa festa, se o homenageado passou a ser outro. Foram os adultos que ensinaram aos pequenos que devem esperar pelos presentes de Papai Noel, e o Velhinho também não é culpado se o elegeram patrono e um agente pagão do mercantilismo. Assim, vai-se apagando a memória do maior evento da cristandade. Se esse acontecimento é ocultado, torna-se mais difícil revelar aos pequenos, independente de qualquer crença religiosa, a razão da majestática descida ao nosso mundo desse glorioso ser - que recebeu o nome de Jesus - e os ensinamento que viria a deixar à humanidade.
As lojas se enchem de Noéis - e tais figurantes ao menos são recompensados com um ganho extra e, certamente, necessitam dele -, mas por que não ater-se ao verdadeiro sentido do Natal armando presépios, nas casas, nos jardins e mesmo nas lojas? Algumas crianças até têm medo do ancião barbudo, mas certamente se encantariam ao ver um igual a elas no berço da manjedoura, rodeado pela mãe e o pai, pelas vacas, burrinhos e carneiros, que são as doces figuras do singelo e memorável nascimento.

WALMOR MACCARINI é jornalista em Londrina

• Os ar­ti­gos de­vem con­ter da­dos au­tor e ter no má­xi­mo 3.800 carac­te­res e no mí­ni­mo 1.500 caracteres ols ar­ti­gos pu­bli­ca­dos não re­fle­te ne­ces­sa­ria­men­te a opi­nião do jor­nal. E-­mail: opi­niao@fo­lha­de­lon­dri­na.com.br

mockup