Opinião Atualizado em 15/12/2015, 00:01
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terça-feira, 15 de dezembro de 2015
Grupo Folha 
Não podemos ser ingênuos a ponto de não reconhecer conforto, a praticidade e o universo vasto e proveitoso de conhecimentos que a internet proporciona. Em contrapartida, estamos imersos em uma problemática global de uma série de acontecimentos infelizes ligados à prática do uso excessivo e inconsequente da internet. Milhares de pessoas são alvo de zombaria, preconceito e indiferença, também há casos e mais casos de mortes em decorrência dos chamados "fakes", os quais fingem ser aquilo que não são para atrair vítimas. Além disso, inúmeros documentos, conteúdos, fotos e vídeos que deveriam ser considerados íntimos e de grande valor estão sendo compartilhados e, em fração de segundos, já estão nas redes.
A grande questão é que a mente humana não é capaz de detectar com precisão o poder universalizador que as redes sociais possuem. Em um clique estamos inseridos no mundo globalizado prontos para ser vistos e espalhados pelo mundo, e isso faz com que estejamos vulneráveis moral e socialmente.
Diante disso, faz-se necessário compreender que nem tudo que é publicidade de fato é confiável e verídico. Precisamos ser cautelosos e criteriosos para avaliar aquilo que nos é mostrado e ver se vale ou não à pena divulgar o material, certos de que, muitas pessoas estão envolvidas no processo e que zelar pela imagem do próximo é essencial. Além disso, os pais possuem nas mãos a chave para a mudança e devem estar atentos em relação aos filhos desde a orientação até a certificação daquilo que está sendo visto por eles.
Afinal, só é possível desfrutar de benefícios quando se tem sabedoria e cautela no poder de escolha e no limite tecnológico.
FLÁVIA INGLEZ é formanda do curso formação de docentes do Colégio Estadual Professora Reni Correia Gamper em Manoel Ribas.
O que está acontecendo no Brasil? A lama de Mariana (MG) me dá a impressão de que até a natureza se revela indignada, parece evocar a ideia de um espelho desta assombrosa fase que o país está passando. Aquele lamaçal que permeia toda a região é o mesmo lamaçal ético com o qual sofremos inconformados diante de tanta roubalheira, numa coexistência espúria entre políticos corruptos e a nata empresarial brasileira que já é motivo de chacota no exterior. Com o desemprego em alta, mercado imobiliário parado, inflação, banqueiros e empresários envolvidos em corrupção, muito embora ainda não condenados, que investidor internacional irá apostar num país em que a crise financeira esbarra na moralidade político-empresarial?
Passei quase um mês em Londres e me encharquei de noticiários. Todos falavam do terrorismo que agora assola a Europa, mas, sinceramente, a questão islâmica fundamentalista me parece controlada pelas potências militares. Acredito que o tempo dissipará os muçulmanos fanáticos, dando lugar à grande maioria não extremista. Mas, observem que a questão na Europa é ideológica, mas aqui não, amigos. A questão por aqui é moral, envolvendo a política e o alto escalão empresarial, fazendo da nossa democracia uma pobre refém dos maus costumes e das negociatas.
É emblemática a visualização daquele lamaçal numa reportagem da BBC, vista de fora, e logo após notícias sobre a corrupção no Brasil. Sei que muita coisa ainda virá. A delação premiada é sempre uma caixinha de surpresas, move montanhas e jovens banqueiros ambiciosos num país pobre, desgovernado; um país vítima de seu próprio destino, vez que a grande maioria da população não consegue ter uma posição política firme, pois poucos têm acesso à leitura e aos jornais em função do baixo nível educacional.
Nos resta o Judiciário, portanto, com a intenção do provimento jurisdicional nas posturas dos magistrados, a de apontar e punir os agentes delituosos. Alcançado isso, o rio da "pátria educadora" será, enfim, lavado da lama poluidora e, finalmente, terão lugar os bem-intencionados e os que sonham com um Brasil de águas límpidas.
FERNANDO RIZZOLO é advogado e membro da Comissão de Direitos Humanos da OAB/SP.
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