Insetos: aliados da polícia

Solucionar crimes com a ajuda de insetos. Essa é uma das vertentes da entomologia forense, uma das áreas de atuação dos biólogos. Quando a causa da morte é desconhecida e o cadáver apresenta presença de insetos necrófagos, ou seja, que se alimentam de organismos mortos, é possível calcular há quanto tempo ocorreu a morte (o chamado IPM – Intervalo Pós-Morte) ou até mesmo apontar a causa. O trabalho é baseado na ação dos insetos encontrados em relação à decomposição do corpo.
Existem diferentes tipos de insetos necrófagos e são eles que se apresentam em diferentes etapas do processo de decomposição do corpo – os mais comuns são as moscas varejeiras e os besouros. Quando somos acionados, coletamos os insetos do cadáver e levamos para estudo em laboratório. Ao identificar a espécie presente é possível saber, precisamente, há quanto tempo a pessoa morreu. Assim, emitido o parecer técnico, em casos de assassinato, essa informação pode ajudar a Polícia Civil a definir os rumos da investigação a seguir, indicando ou eliminando eventuais suspeitos, e a chegar a uma solução.
Essa técnica também pode ajudar a identificar mortes ocasionadas pelo consumo excessivo de drogas. A biologia da decomposição faz com que a droga desapareça do corpo depois de um determinado tempo. No entanto, há insetos necrófagos que assimilam essas substâncias tóxicas. Feita a coleta e uma análise desses insetos em laboratório, é possível dizer se a pessoa morreu ou não de overdose e apontar também qual foi a droga utilizada por ela.
A entomologia forense ainda é uma ciência que está em fase de desenvolvimento no país, com possibilidade ainda de muitos avanços e descobertas a respeito. Mas, por sua reconhecida e indiscutível precisão nos resultados apresentados, já vem sendo cada vez mais utilizada pela Polícia Civil para desvendar muitas mortes.

PATRÍCIA JACQUELINE THYSSEN é professora e pesquisadora da área pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp-SP)



Corrupção, prisão e política

O Brasil sofre há séculos com a corrupção. São homens e mulheres irresponsáveis e inescrupulosos, cujo desígnio estava e está centrado no sentimento de obter o máximo de proveito daquilo que pertence ao povo. Muita coisa foi e está sendo tirada de todos nós.
No Congresso Nacional, os atos reprováveis se repetem. O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), tem contas bancárias clandestinas na Suíça. Diversos escândalos ontem, inúmeros hoje e muitos outros para amanhã. Lá, em Brasília, muitos já foram presos, da mesma forma em Curitiba e na nossa querida Londrina. Aqui já foram muitos políticos, empresários e funcionários públicos que se envolveram com patifaria e indecência. Corrupção é crime e, para tanto, necessita de um remédio eficaz, e eficácia corresponde a amargor, como eram os remédios de antigamente. A punição tem que ser forte e rigorosa, sem complacência, nem tampouco benevolência, pois muitas vidas têm seus sonhos assassinados pela falta de investimentos públicos em infraestrutura e desenvolvimento humano, alguns dos pilares das políticas públicas elementares de qualquer governo.
Punir para educar. Punir para frear o avanço do crime. Tem que ser assim: punição sem dó. Acordos e conchavos já não embravecem alguns cidadãos. A gestão pública não pode ser tão vilipendiada pelos ladrões de gravata e festeiros; os cidadãos de bem e do bem devem se levantar com coragem e ousadia. Todavia, muitos homens e mulheres que eram do bem se perdem e se deixam fisgar pela ilusão do anonimato e do enriquecimento ilícito, mesmo quando os escândalos estão aí para atestar que tarda, mas não falha para que o edifício utópico, construído sobre o alicerce da corrupção, ruirá e desabará sobre as cabeças dos "cabeças" e dos operários.
Nesse contexto de maracutaias e caridade bandida, a profilaxia para essa enfermidade social está na punição do criminoso. O bandido tem que experimentar, no bolso e no sentimento de ter sua liberdade cerceada por longos anos, os efeitos da punibilidade em razão da sua conduta ilegal.

MARCOS ANTONIO TORDORO é especialista em Direito e Processo Penal e capitão da Polícia Militar de Londrina

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