Inundações em Londrina
Virgilio Rodrigues Moreira


Graças à Lei 133/1951, na qual o urbanista Prestes Maia estabeleceu a medida de 60 cm acima da cota da maior enchente para implantação de loteamentos com seus respectivos arruamentos, os fundos de vale tiveram suas áreas ampliadas. Tal fato foi determinante para preservar Londrina de um problema maior com relação às recorrentes enchentes. Mas, uma vez que seus lagos se encontram assoreados e as intensas chuvas levam as águas a passarem sobre as cotas das antigas barragens, fica evidente a urgência de providências para iniciar o processo de desassoreamento do Lago Igapó.
As últimas dragagens de córregos em Londrina ocorreram na gestão do então prefeito José Richa, na década de 1970. Face ao exposto, passo a elencar algumas sugestões para minorar os problemas recorrentes das chuvas em Londrina: mapear as microbacias da cidade; pontuar os locais onde ocorrem inundações; fazer cumprir o mínimo estabelecido de 20% de área permeável de cada lote das bacias de contribuição; em locais onde existem construções antigas e não for possível restabelecer a área permeável de no mínimo 20% da propriedade, promover a captação de água de chuva de área equivalente de telhados. O proprietário seria beneficiado com uso da água armazenada, que serviria para lavar pisos, para descargas de vaso sanitário, irrigar jardins e, consequentemente, reduziria o valor da conta de água; dar preferência efetiva a pisos permeáveis (paver, blokret, etc.) em áreas de calçadas, praças e demais logradouros públicos (principalmente áreas de estacionamentos em geral); exigir muretas nos lotes vazios e recuperar a vegetação das bacias de contribuição; construir caixas de retenção de resíduos sólidos no encontro dos afluentes com o Lago Igapó e que tenham acesso para limpeza periódica; proceder o desassoreamento do Igapó; fazer campanhas educativas baseadas no belo projeto "O rio da minha rua". Excetuando o desassoreamento do lago, as medidas são simples e, se implementadas de maneira continuada, podem ser a solução efetiva para acabar com os transtornos à população.

VIRGILIO RODRIGUES MOREIRA é engenheiro civil, pós-graduado em Engenharia Pública em Londrina

Estamos fragilizados ou é ilusão?
Nelson Avila Simão


A situação em que estamos vacila diante de algo sem explicação, onde ficamos sem reação e com sentimentos de fragilidade. Talvez, seja melhor fingir não entender e considerar que estamos numa engrenagem que não existe numeral para classificá-la. Parece estar tudo degenerado. Esperar a maré baixar e possibilitar o bem- estar e o respeito. Simples ilusão! Existem aqueles que se opõem ao que é lícito; contrário à lei; ilegal e que são contrários À honradez.
Encontramo-nos de boca aberta, espantados diante dos fatos que estão ocorrendo em nosso cotidiano: investigações, prisões, delações, mentiras. Tudo para se tornar realidade com um filamento de luz no fim do túnel. Os quadros apresentados parecem ser extraordinários, ou sejam, inacreditáveis. Parece que não existem.
Com velocidade gigantesca vão aparecendo os puros, imaculados, ingênuos, inofensivos, que não têm culpa alguma como uma criança na tenra idade. Usam tais artimanhas para livrar-se das acusações de que lhe são impostas.
Estamos desprovidos de modelos de boas governanças e que nos fazem sentir sozinhos ou a tristeza tomar conta do nosso espírito, assim como uma nuvem pesada escurecendo o céu da nossa alma. Estamos entregues ao desânimo que está nos abatendo. Nós, os mais sinceros e verdadeiros acreditamos que somente Deus sabe no que vai dar.
Entretanto, aqueles senhores que nos deixam nessa situação de fragilidade e sem ação deveriam conhecer um pouco do valor da honestidade que existe no ser humano, que vem ao encontro da boa ética pertencente a filosofia da moral, relativa aos atos dos seres humanos.
Chegamos a nos questionar: quanto tempo durará tais episódios para se obter outra orientação, direção e sentido? Segundo Carlos Drummond de Andrade, quem teve a ideia de cortar o tempo em fatias, a que se deu o nome de ano, foi um indivíduo genial. Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão. Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos. Aí, o milagre da renovação e tudo começa outra vez, com outro número e outra vontade de acreditar que daqui por diante vai ser diferente.

NELSON AVILA SIMÃO é professor com mestrado em Ensino de Ciências e Educação Matemática em Londrina

■ Os ar­ti­gos de­vem con­ter da­dos do au­tor e ter no má­xi­mo 3.800 ca­rac­te­res e no mí­ni­mo 1.500 ca­rac­te­res. Os ar­ti­gos pu­bli­ca­dos não re­fle­tem ne­ces­sa­ria­men­te a opi­nião do jor­nal. E-­mail: opi­niao@fo­lha­de­lon­dri­na.com.br

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