Tubarão de volta à Série B

Temos em primeiro lugar parabenizar o investidor Sérgio Malucelli pela iniciativa de se interessar em ser o gestor do Londrina Esporte Clube (LEC) e as conquistas obtidas ao longo de cinco anos. Quando tomou a iniciativa nessa empreitada enfrentou uma série de dificuldades. Quem não se lembra dos aventureiros de plantão que quase esfacelaram o pouco que restava do Tubarão?
Malucelli encontrou um clube envolvido com a Justiça do Trabalho pelo atraso no pagamento de jogadores e funcionário e se comprometeu em levar o time à Série B do Brasileirão até 2021.
Lembremos ainda que os poderes públicos de Londrina em nada contribuíram para a evolução do Tubarão, ao contrário, até o placar eletrônico do Estádio do Café, proposto para ser instalado pela Viação Garcia que também deu sua parcela de contribuição em favor do projeto vencedor que aí está, sequer foi instalado. O prefeito Alexandre Kireeff prometeu a instalação do equipamento e nada foi feito até agora, nem uma ação em estimular na venda de ingressos para melhorar a arrecadação.
Malucelli iniciou seu trabalho no LEC num momento em que a cidade estava prestes a perder sua maior força do futebol, completamente quebrado, na 2ª Divisão do futebol do Paraná e com perspectivas sombrias. Enfrentou de tudo: a descrença de muitos torcedores, de parte da imprensa, contratou um técnico de Cianorte por engano, achando que era o Cláudio Tencati.
Tencati seu trabalho em 2011 conquistando o título da segunda divisão do Paraná e nos anos seguintes foi campeão do interior, conquistou o título Paranaense da divisão especial, numa espera de aproximadamente duas décadas, e agora colocou-o entre os 40 melhores times do País com a vaga na Série B. Indiscutivelmente, Tencati venceu todos os obstáculos. Embora tenha tido sorte, inegavelmente é altamente qualificado. Se Tencati ficar no comando do Tubarão, seguramente, irá levá-lo para a elite do futebol nacional. Já está na história futebolística do país como o técnico mais longevo da história no Brasil e deverá melhorar ainda mais esse currículo. É aguardar e constatar.

EDILSON ELIAS é jornalista em Londrina




Cada macaco no seu galho

O antropólogo Roberto DaMatta imortalizou o caráter hierárquico brasileiro por meio da sentença: "Você sabe com quem está falando?". A hierarquia deve ser vista como a oposição aos valores igualitários. Os que promulgam de uma visão hierárquica consideram que há posições predefinidas, que cada um desempenhe o papel determinado pela condição social, tal como "cada macaco em seu galho".
No mundo igualitário, não há papéis socialmente predefinidos. Nos Estados Unidos, eventuais diferenças entre as partes, são estabelecidas no limite contratual, isto é, algo fixado em comum acordo, sem ultrapassar a fronteira da legalidade.
No cenário hierarquizado, espera-se que um mande e outro obedeça; que um sirva e o outro seja servido. Não é por outro motivo que a chave da resolução do conflito hierárquico é: "Você sabe com quem está falando?". Alguém capaz de dar uma "carteirada" ou de lançar mão de contatos pessoais, títulos. Pronto, o conflito fora solucionado em favor do superior e contra o inferior.
No contexto igualitário, a chave para o conflito é outra: "Quem você pensa que é?". Ninguém é especial e todos são submetidos a regras ou leis gerais e universais. No país do tio Sam, as pessoas se dirigem uma às outras pelo pronome de tratamento "you" (você) e expressões como "senhor", "doutor" não são utilizadas (ao contrário do Brasil). Enquanto o símbolo da revolução norte-americana foi o pequeno agricultor, o ícone de nossa formação social foi o senhor do engenho, com grandes propriedades e escravos. Eis, o precursor da sociedade economicamente assimétrica, de baixa escolaridade, de maioria escravos e trabalhadores livres e por conseguinte hierarquizada. O fator hierárquico ("cada um no seu galho") está associado a uma menor modernização da sociedade. No entanto, à medida que aumentar a escolaridade haverá uma diminuição dessa mentalidade, dado que a concepção hierarquizante da sociedade tende mais a ser uma variável sociológica do que um atributo antropológico da população brasileira.

JHONAS GERALDO PEIXOTO FLAUZINO é advogado e estudante de Medicina em Londrina

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