Ser professor

Procuro na literatura a resposta para a indagação que desafia a lógica instalada na realidade: por que professor? Discursos efusivos, reflexões fundamentadas e explicações biopsicossociais invadem a alma, incoerentemente exausta e feliz, de quem acreditou um dia ter espírito transformador. E os dias transcorrem sempre diferentes, embora, habitualmente, repletos de indagações que inquietam o olhar observador. Crer sem ver, sentir sem constatar, sorrir com o coração sem perceber, persistir sem desanimar, lutar batalhas inglórias sem enfraquecer o ideal motivador. Doar–se sem a certeza do acolhimento, acolher sem perspectiva de reconhecimento, reconhecer-se semeador sem se incomodar com a aridez ou com a fertilidade das almas que ensina.
Ensinar é verbo muito poderoso. Significa compartilhar o que se sabe para se construir um mundo mais harmônico, segurar as mãos da vida de outro, para que esse transponha seus medos de viver e se faça a melhor versão de si mesmo, todos os dias. Significa sentir-se ameaçado pelo conhecimento pulsante na realidade científica e, ao mesmo tempo, motivado a saber mais e mais só para continuar se sentindo humano.
Que ser estranho esse! Os lábios são capazes de sorrir mesmo que a alma chore, os olhos mantêm o brilho da fé na humanidade, mesmo quando os homens destroem monstruosamente, a bondade e a generosidade inerentes a uma criança;. Que misterioso ser esse tal de professor! Não se ilude, mas sonha, não agride mais abraça muitas lutas, não esmorece mas chora suas decepções, se cobra, se penitencia, mas planeja a felicidade de seus alunos como um eterno empreendedor.
Que magia é essa que mobiliza a coragem de se expor, a humildade ao se sentir julgado constantemente, as convicções mais íntimas que o tornam forte, invencível defensor das possibilidades?
Talvez, a resposta para "por que professor" seja a mais simples possível – não se escolhe se eternizar pelas influências que se perpetuam nos caminhos dos próprios alunos, apenas se nasce com a garra de quem recebeu uma dádiva divina, porque não é possível se tonar professor nas universidades. É necessário mais que conhecimento acadêmico, mais que certificados, muito mais que pesquisas e estudos para ser capaz de educar, até quem resiste a aprender. E talvez, só talvez, o poeta tenha encontrado a máxima que caracteriza o professor: "A estranha mania de ter fé na vida!".

ZULEIKA TOLEDO é docente dos cursos de graduação e pós-graduação da Unopar em Londrina



Os benefícios de ficar em pé

A revista Veja, baseada em pesquisa de renomada equipe de especialistas, publica que ficar em pé traz benefícios à saúde, tanto quanto fazer uma caminhada. O esforço natural do corpo para manter-se ereto - revela - faz bem à silhueta, previne doenças, melhora o desempenho intelectual e a memória e previne contra riscos de mortalidade. O estudo, com 12 mil pesquisados entre 37 e 78 anos, foi publicado pela revista científica "American Journal of Preventive Medicine", e a conclusão é que os que se mexiam menos, corriam um risco 30% maior de morrer em decorrência de doenças associadas ao sedentarismo.
Diz a pesquisa que bastam movimentos simples como dar uns passos até a mesa do colega ou locomover-se para tomar um cafezinho. Duas horas ao dia ficando em pé resulta em grandes benefícios. Exemplifica que, intuitivamente, Ernest Heminguay escrevia de pé com sua máquina datilográfica. Veja-se os benefícios: estando de pé o cérebro entra em estado de alerta; estudar nessa posição melhora em 20% o desempenho escolar; depois de duas horas o corpo ereto terá queimado 20% mais de calorias; o mecanismo de retorno do sangue ao coração é estimulado pela tensão natural dos músculos e previne a doença que se caracteriza pela formação de coágulos.
Relata o estudo que, ficando-se em pé, o consumo de oxigênio celular é maior, o que melhora o desempenho cardiovascular; no caso dos diabéticos, facilita a absorção da glicose pelas células, com menor mediação de insulina, poupando o trabalho do pâncreas; a produção do fluido que lubrifica as articulações é aumentada, evitando afecções associadas à degeneração desses tecidos. Empresas de tecnologia no mundo começam a adotar mesas adaptadas para estimular a posição ereta de seus funcionários, e na Escandinávia 90% dos escritórios já oferecem essa opção. Resumindo, ficar em pé, por quanto mais tempo se puder, tem um extraordinário impacto favorável na sobrevivência.

WALMOR MACCARINI é jornalista em Londrina

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