Lar, doce lar!

"Quem casa quer casa", diz o velho ditado popular. É fato que quem casa quer seu canto pessoal seu espaço próprio, seu lugar para si mesmo. Isso é legítimo e aconselhável. Contudo, quem casa não quer só casa, mas algo mais, muito mais. Vamos chamar esse algo mais de lar. A casa é fundada em ferro e cimento, enquanto o lar no amor e respeito. A construção da casa é de tijolos e madeira, ao passo que o lar é de princípios e valores. As janelas da casa são de vidro, já as do lar são os olhos. As paredes da casa têm ouvidos por onde passam sons; os ouvidos do lar têm paredes que cobrem com discrição. A casa é abrigo da chuva, calor e frio, enquanto o lar é abrigo do medo, da dor e da solidão. A casa protege dos barulhos de fora; o lar protege dos barulhos da alma. Na casa tem sofás; no lar tem colo. Na casa toma-se banho; no lar lava-se a alma. Na casa tem-se refeições; no lar tem-se comunhão. A casa é feita com dinheiro e o lar é feito com carinho. A casa pode ser comprada e vendida; o lar não se compra nem jamais está à venda. A casa é a uma espécie de embalagem, invólucro, acessório, o vagão do trem; já o lar é o conteúdo, a essência, o principal, a locomotiva do trem. A casa está restrita a um endereço fixo; já o lar não tem fronteiras. Enquanto a casa envelhece, o lar amadurece. A casa é material e concreto; o lar é gente e relacionamento. A casa tem seu estilo arquitetônico; o lar tem sua personalidade. A casa não tem vida própria, é mecânica, não se multiplica; o lar tem vida em si mesmo, é orgânico e se reproduz. A casa é edificada por profissionais, mas o lar é edificado por Deus, como diz as Escrituras: "Se o Senhor não edificar a casa, em vão trabalham os que a edificam" (Salmos 127.1). Isso mesmo, quando o Senhor a edifica, a casa torna-se lar. Enquanto não se souber discernir essa diferença, não se saberá o que perseguir como objetivo. Por isso, talvez, existam tantas mansões onde moram lares miseráveis ao mesmo tempo que muitos casebres abrigam lares verdadeiramente ricos. Mais que "minha casa, minha vida", precisamos de "meu lar, minha vida". A casa só tem vida se for um lar, já o lar não precisa da casa para viver. Existem muitas casas, mas poucos lares. O desejável é que dentro de cada casa exista um verdadeiro lar: "Lar, doce lar!".

RODOLFO MONTOSA é pastor da 1ª Igreja Presbiteriana Independente de Londrina



12 anos: criança ou adolescente?

Vejo como um ser humano em formação que precisa ser cuidado, orientado, alimentado, respeitado, que necessita de bons exemplos, carinho, atenção, etc. Ou seja, ainda depende de alguém para sobreviver. A grande angústia é que existem muitas crianças próximas a nós vivendo sem o mínimo necessário para seu bom desenvolvimento. A formação de um indivíduo tem como base um tripé muito conhecido por todos nós, que é: a educação, saúde e segurança. Palavras estas que muito ouvimos falar em épocas específicas no Brasil. Passando tais épocas, tudo volta a ser como antes: as crianças voltam a ser invisíveis. Nossos governantes se preocupam, ou parecem se preocupar, com a violência. No entanto, a grande maioria, não tem um olhar atento para as crianças, para sua formação. A preocupação maior é com a construção de presídios, pois acreditam que prendendo o bandido a sociedade vai ficar mais segura. Já a preocupação com creches e educação de qualidade não é tão importante, pois crianças não fazem mal à sociedade, ou seja, abandonam as crianças nas ruas de nosso país, esperam ela ficar adulta e violenta (às vezes, não tão adulta), para depois elas ocuparem as vagas em nossos decadentes e abarrotados presídios. Essas pessoas, via de regra, também não tiveram acesso a uma formação adequada. Vejo como contraditório e perigoso um país que não prioriza a formação das crianças e sim a punição delas, quando se tornam adultas. Bizarro não?
Comecei o texto questionando sobre ser criança ou adolescente aos 12 anos, mera definição de termos, nomenclatura desnecessária a meu ver. O que realmente interessa é o depoimento de uma mãe, cujo o filho já está envolvido com tráfico e ela não ter estrutura emocional, financeira ou qualquer outra para salvá-lo. Seu filho já está à margem da sociedade e, por enquanto, só tem 12 anos.

NILVA MEDEIROS KATAOKA é servidora pública em Londrina

• Os ar­ti­gos de­vem con­ter da­dos au­tor e ter no má­xi­mo 3.800 carac­te­res e no mí­ni­mo 1.500 caracteres ols ar­ti­gos pu­bli­ca­dos não re­fle­te ne­ces­sa­ria­men­te a opi­nião do jor­nal. E-­mail: opi­niao@fo­lha­de­lon­dri­na.com.br

mockup