Culpa do trânsito?

Há uma animação, muito popular, do personagem Pateta no trânsito. Nesse desenho, Pateta aparece como um sujeito calmo, tranquilo e muito pacífico. Ao ver que ia pisar em formigas, ele gentilmente muda seu caminho. Enfim, parece muito pacato, mas é só pegar a direção de seu carro que se transforma em um monstro insensível e perigoso. Passa a ser malcriado e impaciente colocando a si mesmo e os outros em perigo. É um desenho antigo, mas que já mostrava como no trânsito nossa agressividade é facilmente despertada.
Muitas pessoas acreditam que o trânsito cria essa agressividade e violência, mas a verdade não é bem assim. O trânsito, por pior que seja, não tem o poder de criar nada. Ele só desperta e exacerba algo que já existe dentro de cada um. Uma pessoa que realmente saiba lidar com sua agressividade interna não vai ficar violenta no trânsito. Os que assim ficam é porque não sabem lidar com a agressividade que sentem dentro de si.
No início do desenho, Pateta estava começando o dia com condições muito boas. O dia estava glorioso e ensolarado e nada parecia contrariar o espírito do personagem. Mas imaginemos outro cenário. Um que já tenha começado com o dia chuvoso, molhando as roupas do Pateta e trazendo toda uma série de transtornos. Será que Pateta iria continuar sereno diante de condições precárias? Provavelmente, não. O que mostra que não é o trânsito que o tirou do sério e o transformou, mas a sua incapacidade em lidar com as frustrações, dos quais o trânsito está cheio.
Está na hora de pararmos de culpar o que nos está externo por nossos sentimentos de ódio e ataques de violência. Se não for o trânsito, será qualquer outra coisa que nos trará frustrações e propiciará o terreno para que sejamos violentos. Porém, a questão está na mente e não no cenário. Precisamos, mais do que nunca, aprendermos de fato a lidar com o que sentimos. O trânsito do jeito que está é apenas reflexo do que se passa nas nossas mentes. Se ele está violento, mal educado e perigoso é porque é assim que estamos internamente. Nossas condições mentais estão precárias. Que tal cuidarmos mais de nossas mentes?

SYLVIO DO AMARAL SCHREINER é psicoterapeuta em Londrina



Para gostar de ler

É o título de uma coleção literária que reunia escritores, como Orígenes Lessa e Carlos Drumond de Andrade, que li como tarefa escolar quando estudava no então ginasial em 1974. Na disciplina de português o professor Manoel Machado sempre nos incentivava a ler, nem que fosse um papel de propaganda qualquer. Dizia ele que só sabe escrever quem sabe ler. E quanto mais conhecimento você adquirir, melhor poderá desenvolver um texto.
Estava lendo na biblioteca da UEL o livro "Os profetas da ciência", que mostra a história de várias celebridades e suas contribuições para as ciências. Um autor ali apresentado falou sobre o movimento rotacional das águas quando caem por um recipiente, podendo ir para a esquerda ou para a direita.
Achei que toda aquela leitura não me traria proveito, mas aí comecei a pensar no relógio e seu movimento e perguntei-me: por que os seus ponteiros sempre vão para a direita quando marcam o tempo? Sim, porque quem inventou o relógio poderia fazer os ponteiros girarem para a esquerda. Num primeiro momento não soube a resposta, depois lembrei-me de um documentário exibido na TV sobre a história da contagem do tempo e sua representação, que é muito antiga, e que os egípcios foram os primeiros a saber quanto tempo durava uma noite. O mesmo documentário mostrou vários relógios solares e, na maioria deles, a sombra projetada pelo sol seguia para a direita. Talvez, quando começaram a construir os primeiros relógios como os que conhecemos hoje seus construtores viram esse fato e decidiram construir os relógios com os ponteiros girando para a direita, o que todos chamam hoje de sentido horário. Você tem outra explicação? Pense.

MAURICIO KALAU GONZALES é professor e administrador de empresas em Londrina

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