Saúde do homem pede atenção

O mês de agosto traz um alerta para os homens. A celebração do Agosto Azul busca chamar a atenção para a importância de cuidar da saúde da população masculina. Reportagem publicada pela Folha de Londrina no mês passado revelou que 58% dos curitibanos nunca foram a um urologista, um percentual superior ao índice geral de oito capitais consultadas em pesquisa citada na publicação. Falta de tempo, ausência de motivos e medo foram citados pelos entrevistados como justificativa para não ir ao médico. Este mesmo comportamento pode ser observado com relação a outras especialidades. Enquanto as mulheres incorporaram a rotina de realizar exames preventivos de acordo com a orientação médica, aos homens falta prestar atenção na importância do autocuidado.
O câncer de próstata pode ser prevenido, mas há 90% de chances de cura quando diagnosticado precocemente. É preciso destacar que no estágio inicial tem evolução silenciosa e pode passar despercebido, por isso a necessidade de realizar exames de rotina e preventivos. Se localizado tardiamente pode levar a óbito.
Entre os exames para o diagnóstico da doença estão o toque retal e o de sangue (PSA), com periodicidade anual. Se esses exames sugerirem algum problema, é indicada a ultrassonografia pélvica ou prostática transretal, que poderá mostrar a necessidade de biópsia para ter um diagnóstico mais preciso e, assim, poder determinar o melhor tratamento para o paciente. A Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) recomenda que homens a partir de 50 anos procurem seu urologista para discutir a realização da avaliação. Aqueles com maior risco da doença (história familiar, raça negra) devem procurar o urologista a partir dos 45 anos. A falta de cuidado com a própria saúde é uma das explicações para estatísticas demográficas que ressaltam a menor expectativa de vida masculina. No Paraná, por exemplo, eles vivem em média sete anos menos que as mulheres. Além da violência, o alto índice de mortes masculinas ligadas às doenças cardiovasculares explica a diferença. Realizar consultas de rotina, comer de forma saudável, não fumar, reduzir o consumo do álcool e realizar atividades físicas são atitudes esperadas para, quem sabe, garantir aos homens uma vida mais longa e o envelhecimento com qualidade.

DÉCIO PRANDO MOURA é radiologista em Londrina.



O Brasil precisa da piscicultura

O Brasil está entre os 15 maiores produtores de peixes cultivados do mundo. Em 2014, foram 585 mil toneladas. Neste ano, serão mais de 600 mil e a previsão é superar 1,2 milhão de toneladas em dez anos. Hoje, a atividade movimenta cerca de R$ 4 bilhões por ano e gera um milhão de empregos.
Estamos falando de uma atividade produtiva que gera alimentos de qualidade para suprir as necessidades da população. Com investimentos e parceria entre os órgãos governamentais e privados, o Brasil ganhará em breve a autossuficiência, se tornando um exportador de peixes cultivados. Infraestrutura para isso o país tem de sobra. Temos reservas de 12% da água doce do mundo e clima privilegiado. Além disso, contamos com empresários e produtores motivados, líderes empolgados e focados no fomento e na geração de um ciclo virtuoso para a Piscicultura.
Nesse trabalho, é essencial a liderança do Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA). Sob sua coordenação e a integração dos demais agentes produtivos, de pesquisas, fomento e crédito, como Embrapa, BNDES, Sebrae, APTA, ABAG e outros, a piscicultura brasileira se tornará em muito pouco tempo uma atividade ainda maior, mais produtiva e sustentável, já que os aspectos ambientais e sociais fazem parte da própria essência da atividade.
O trabalho do MPA foi um fator importante para a criação da Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR) que, em menos de um ano de existência, já congrega todas as espécies de peixes cultivados, melhoramento genético, indústria de equipamentos, fábricas de rações, indústria de saúde animal, técnicos, produtores de alevinos e demais segmentos da piscicultura nacional, representando cerca de 40% da piscicultura brasileira.
Nós acreditamos que o fortalecimento de toda a cadeia produtiva é essencial para enfrentar (e vencer) os desafios do setor, como as questões ambiental, tributária, crédito, pesquisas, técnica, organizacional e de desenvolvimento. Para isso, é indiscutível a necessidade de contar com o Ministério da Pesca e Aquicultura forte, com independência e liderança desse processo.

EDUARDO AMORIM é presidente da Associação Brasileira da Piscicultura

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