Opinião Atualizado em 19/08/2015, 23:00
ESPAÇO ABERTO
Num mundo e num momento onde todos parecem ter a obrigação de estarem sempre bem, tirando selfies adoidados, postando suas alegrias nas redes sociais, a tristeza não tem mesmo vez. Estar triste parece até coisa de outro mundo e que muitos sentem que necessitam repudiar. Afinal, tristeza é equiparada ao fracasso e ninguém quer se sentir ou viver o fracasso.
Mas é possível um mundo sem tristeza? Ele seria melhor? Apesar de inúmeras pessoas acreditarem que um mundo sem a tristeza seria bem melhor a verdade é que é preciso ficar triste, saber se entristecer. Sem a tristeza jamais conseguiríamos elaborar nossas perdas, nossos lutos e nunca nos tornaríamos verdadeiramente humanos. Sem tristezas seríamos maníacos.
Por maníaco entende-se alguém que, freneticamente, fica pulando de uma atividade a outra, de um interesse ao outro, sem nunca poder elaborar, assimilar e digerir bem o que se está vivendo. Em outras palavras, seríamos idiotas. No entanto, ao se entristecer podemos parar para pensar sobre o que nos ocorre na vida e as experiências vividas se tornam então material para crescimento. Aprendemos com a experiência e com as dores que a vida sempre faz questão de nos fornecer. A sabedoria de saber se entristecer está em falta ultimamente.
Saber se entristecer não implica em entrar numa depressão patológica. Esta é um estado mental empobrecedor e danosos onde a vida fica desinvestida. Não há aprendizagens, mas apenas um deserto estéril. Já se entristecer é um momento necessário para refletir e entender o que está acontecendo internamente. Na animação da Pixar, "Divertida Mente", fala justamente da importância que a tristeza desempenha em nossa saúde mental. A tristeza é uma oportunidade para nos reorganizarmos psicologicamente e não uma inimiga para combatermos e depreciarmos.
SYLVIO DO AMARAL SCHREINER é psicoterapeuta em Londrina.
Essa questão volta periodicamente a debate - como lemos recentemente neste Jornal - e as opiniões divergem. O fato é que, mais relevante do que levar esse estudo às escolas será saber o que se pretende ensinar. Se for a história das religiões, será apenas uma disciplina a mais e o acúmulo do que, mais ou menos, já se sabe, portanto de relativo enriquecimento; se for uma diretriz catequética, poderá pender para a predominância deste ou daquele sistema de crença, e resultará no robustecimento dos conflitos já existentes. Deveria ser algo que edificasse o discípulo no sentido de sua verticalidade espiritual, que é diferente de formação religiosa, porque esta segue fundamentação eclesial e não propriamente um ensino consciencial de religação com nossa origem primeira.
Imagina-se que o compêndio fundamental seria a bíblia, mas o conteúdo dessa escritura foi tantas vezes alterado e tem tantos pontos incompreendidos e outros de menor interesse. Ensinar a natureza divina do homem e que um fragmento de Deus reside nele. Esta seria a fórmula, mas como tal não é a doutrina primordial das igrejas dominantes, não se sabe que mestre escolar se ocuparia disto. Fazer um apanhado nas searas mais iluminadas de cada religião seria um caminho, mas quem faria essa seleção, se não existe um consenso?
Seria preciso incursionar também pelo campo pouco sondado da ciência espiritual, vasculhar os arquivos de milenares sabedorias e incluir as revelações atuais de mensageiros dos planos mais elevados, Jesus entre eles, despertando no homem a sua espiritualidade latente. E, sem impor, ao menos permitir a discussão de temas pouco aceitos pelas religiões tradicionais, como nossas existências sucessivas, a preexistência da alma e sua transmigração por diferente estágios evolucionários, a reencarnação, o significado verdadeiro da salvação de que tanto se fala, conceitos sobre o povoamento do universo por seres semelhantes a nós, as leis de causa e consequência - que são as leis de Deus. Fundamental seria direcionar o estudante para uma mais expandida cosmovisão, exaltar sua genealogia divina e sua majestade individual, fazendo-o compreender que é cocriador com Deus e parte integrante do conjunto universal, no qual age e interage.
WALMOR MACCARINI é jornalista em Londrina.
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