Transparência para o terceiro setor

Segundo dados compilados dos ministérios do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, da Educação e da Saúde, o governo federal já certificou mais de 250 mil entidades do terceiro setor. Estima-se que elas empregam em torno de 2 milhões de profissionais e têm recursos doados por 15 milhões de pessoas. Além de receberem recursos financeiros e não financeiros da sociedade civil, as entidades gozam de benefícios fiscais previstos na legislação. O terceiro setor diferencia-se do governo e do mercado, pois mobiliza recursos privados no intuito de promover ações em benefício público. O surgimento dessa nova ordem se dá por conta das dificuldades do Estado regular e prover todos os serviços de que a população carece. Neste novo cenário, há o predomínio da ação comunitária sobre a ação estatal.
Por conta de sua natureza assistencial, essas organizações recebem uma cobrança maior da sociedade para que ofereçam informações transparentes de sua atuação. O processo decisório por uma instituição durante a seleção de órgãos governamentais e de empresas privadas pode ser fundamental para os dois lados. Tanto para uma entidade que necessite alocar esses recursos em seus projetos sociais, quanto para uma companhia ou órgão público que deseja investir em uma associação que cumpra sua função de forma adequada e honesta. Para serem reconhecidas oficialmente como filantrópicas, é necessário obter certificações e titulações específicas, como o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, que tem duração de três anos com possibilidade de renovação pelo mesmo período. O sucesso de uma organização do terceiro setor é verificado pelo quanto ela conseguiu beneficiar a sociedade a partir da combinação de esforços e recursos. Conhecer as metas e os objetivos relacionados à missão da entidade e seu desempenho na captação de recursos propicia aos stakeholders (público estratégico) a segurança necessária. Em função da crescente importância dessa atividade, torna-se fundamental a presença de uma auditoria independente nas demonstrações contábeis das organizações. É a solução para garantir a desejada transparência e credibilidade aos processos de gestão da instituição.

MAURO AMBRÓSIO é contador, administrador de empresas e advogado em São Paulo.



Roubo: poder e prazer

Numa época que muitas pessoas de alto nível social e econômico estão sendo presas por corrupção, desvios de dinheiro e tantas falcatruas são inúmeros os que perguntam por que elas que já são ricas, têm a vida financeira bem constituída e estável roubam? Se já têm dinheiro roubam por qual razão? Bom, primeiro é preciso levar em consideração que não se rouba apenas por uma questão financeira, mas de poder.
Acredita-se que o principal motivo que leva uma pessoa a roubar seja a carência, a falta de recursos ou até mesmo exclusão social. Claro que isso tudo existe, mas não é a principal razão que levam muitos a roubar, a corromper ou a quebrar leis. Na maior parte das vezes podemos observar que os roubos não têm relação com necessidades não atendidas em termos materiais, porém muito mais como uma questão mental. Roubar dá a sensação de poder e promove uma excitação irresistível para muitos.
Não é à toa que vemos tantos milionários roubando. Eles encontram no ato de transgredir um prazer que os faz se sentir mais poderosos, mais importantes. Nesses casos roubar é um gozo. Só que gozo sádico e prejudicial. Não é só por que uma coisa causa prazer que é bom. Transgredir dá mostras de uma pessoa cuja mente nega os limites e as leis. Pessoas assim odeiam os limites e se creem acima das leis. Tornam-se vaidosas e narcisistas e veem as outras pessoas como objetos e não como seres que sofrem e sentem; são incapazes de se relacionarem de forma digna e respeitosa com quem quer que seja. Toda relação se torna um jogo de poder, de quem pode mais.
Tanto os roubos de grande quantia de dinheiro ou pequenos furtos que acontecem diariamente nas ruas onde se levam carteiras, celulares, carros, etc., não são motivados por questões de necessidade. Não é uma questão de exclusão social, como muitos insistem em acreditar, mas de falta de uma educação sentimental. Esta nos ensina que os limites são necessários e permitem uma vida civilizada. O que se rouba nas grandes corrupções e nos assaltos diários é muito mais do que dinheiro e bens, mas a condição humana. E sem esta condição somos apenas selvagens perigosos.

SYLVIO DO AMARAL SCHREINER é psicoterapeuta em Londrina.

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