Vacas magras, época de inovar

O ser humano, quando enfrenta maiores adversidades, precisa imediatamente aguçar seu poder criativo e passar a potencializar sua capacidade de criar soluções inteligentes e inovadoras para vencer essas dificuldades. Tais situações sempre ocorreram nos períodos de guerra e pós-guerra, mas podem também acontecer em qualquer tempo de vacas-magras, isto é, quando a economia não vai bem. Se a economia doméstica passa por momentos de dificuldade, a família encontra meios criativos para conseguir sair da crise. O mesmo deve-se dar com a economia de cidades, estados e países.
Criatividade e inovação são fatores de grande relevância para o desenvolvimento socioeconômico, particularmente essenciais nas épocas de crise. Se nos períodos de dificuldade financeira, os gestores de ciência, tecnologia e inovação (CTI) precisarem concorrer por recursos com a educação, a saúde, a segurança, etc. então é porque o sistema de CTI ainda não conseguiu transmitir que ele não é importante "em si" nem "para si", mas que sua relevância deve estar exatamente na transversalidade. Nos momentos de crise, é a saúde que deveria lutar para mais recursos de CTI, por entender que a inovação é essencial para que os serviços de saúde se tornem melhores, mais econômicos e mais eficientes. Nos períodos de vacas magras, é a educação que deveria batalhar por mais recursos de CTI, enxergando a inovação como instrumento essencial para o desenvolvimento do setor educacional. O mesmo deveria ocorrer com todos os demais campos da economia.
Na sociedade desenvolvida, não se deve falar em alternativas, como inovação "ou" educação, inovação "ou" segurança, inovação "ou" saúde... Mas, sim, em inovação "para a" educação, inovação "para a" segurança, inovação "para a" saúde...
Atingiremos os patamares desejados de progresso socioeconômico quando nosso sistema de CTI, que possui imenso potencial, estiver plenamente aberto e atento às necessidades mais urgentes da sociedade. Quando ele deixar de estar tão encastelado, dentro dos muros das universidades e dos centros de pesquisa.

MARCOS DE LACERDA PESSOA é engenheiro civil em Curitiba.




Magias do corriqueiro fantástico

A escuridão não penetra na luz. Imaginemos um compartimento escuro fechado ao lado de outro iluminado. Se abrimos a porta do escuro, a escuridão não invadirá o que está pleno de luz. Já o contrário acontecerá: a luz inundará o ambiente escuro. Simples - dirão - e todos sabemos disso. Mas como explicar essa lei da física? Por que a luz é mais potente que a treva? O mistério persiste. Assim como tantas coisas do corriqueiro fantástico que nos cercam, e tão acostumados estamos a elas que nem nos detemos para refletir.
Por exemplo, o germinar de uma semente. A resposta simplória a esse fenômeno será a impulsão dos nutrientes da terra, aliados à umidade e à energia solar. E como dentro da minúscula semente aloja-se uma planta potencial, com seus ramos e folhas e flores e frutos, e mais sementes da espécie garantindo-lhe a perpetuidade? Um processo da genética, será a resposta da maioria e mesmo da ciência convencional. Mas há mais que isso. Há uma energia imanente que move tudo isso e que se esconde no recôndito do mistério. E esse mistério é o indecifrável poder transcendente. É a magia da ação divina a que se dá o nome de Deus.
E o que dizer do fenômeno, associado harmonicamente ao agente masculino, que gera um ser no cálice sagrado da mãe?! Essas são fantásticas realidades. Como o sol que surge e se põe todos os dias com precisa regularidade; como a dança cadenciada de todas os atros e planetas; como a noite que chega para encerrar o dia e nos proporciona o repouso; a permissão que nos foi dada por dormir e sonhar, viajar pela noite fora do corpo, até que chegue um novo dia para concretizar nossos sonhos.
Pensar que bilhões de galáxias nos circundam e nelas bilhões e bilhões de esferas giram e pulsam vida, e nós nos negando a crer que há povoamento no universo a não ser os anjos e santos catalogados pelos sistemas de crenças. Tudo isso é de uma engenhosidade tamanha que nos faria enlouquecer se buscássemos explicá-la à luz do entendimento humano. E constatar que há os que negam a existência de um poder superior, ufanos de sua imaginária autossuficiência.

WALMOR MACCARINI é jornalista em Londrina.

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