Espaço Aberto
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 26 de junho de 2015
Levi Ceregato 
Na atual conjuntura de crise, é inútil a contínua elevação da taxa de juros, pois os efeitos na contenção dos índices inflacionários vêm se mostrando nulos, enquanto os danos à economia, às empresas e às famílias tornam-se cada vez mais graves. Embora há meses a Selic tenha superado a alta barreira dos 13%, não se observaram ainda efeitos práticos quanto ao recuo da inflação, mas o impacto nos setores produtivos tem sido grande.
Nesse momento de retração, as sinalizações da política econômica são importantes para estimular uma reação ou retroalimentar a crise. Quando o Copom mantém juros tão elevados, com a maior taxa real do mundo, a leitura do empresariado e dos consumidores é a de que as próprias autoridades monetárias estão jogando a toalha, descrentes na capacidade de o Brasil vencer o combate contra a recessão.
Não podemos ser nocauteados pelos nossos próprios erros! Teria sido importante que o Copom reduzisse substancialmente a taxa. Uma Selic menor passaria à sociedade mensagem de confiança na política econômica, na capacidade de superação do país e no ajuste fiscal em curso (este sim, se aplicado de modo correto, é ferramenta eficiente contra a inflação). Ao mantê-la em níveis tão elevados, o Comitê negou implicitamente tudo isso, contribuindo para um efeito psicológico de agravamento das dificuldades.
Em tempo: na sondagem do primeiro trimestre, o Índice de Confiança da indústria gráfica apresentou queda de sete pontos em relação ao quarto trimestre de 2014, atingindo o índice de 41,1, em uma escala de 0 a 100; cálculos da Abigraf Nacional, entidade representativa da atividade com base na Pesquisa Industrial Mensal do IBGE, mostram que a produção física do setor recuou 3,7% no acumulado de janeiro a março, em comparação com o mesmo período do ano anterior. Está redondamente enganado quem imagina que os juros estratosféricos, dentre outros fatores, nada tem a ver com tais indicadores.
Alunos da Universidade Estadual de Londrina (UEL) ocupam a reitoria. Que ousadia! Quem são eles, afinal? São estudantes que procuraram uma universidade para receberem colaboração naquilo que precisam: formação. É preciso ser ousado nesse nosso país, em particular no Paraná, ora palco de tantas coisas não desejáveis pela maioria da população, para escapar da mesmice. Para escapar de coisas imorais e ilegais, como tem noticiado frequentemente a imprensa local, estadual e nacional.
Estamos ao final de junho de 2015. Até agora, um semestre sem aulas. O que isso representa para um Estado, uma nação? Há coisa pior? Sim, pode haver. Pior do que isso é professores e alunos serem tratados com bombas de gás, com cães, com agressões que passam por acusações não sustentadas e exposições equivocadas. Pior do que isso é aluno ter que ocupar reitoria para evidenciar o estado em que se encontra a universidade, que deveria estar aparelhada para o ajudar em sua formação. Pior do que isso é não atentarmos para a gravidade do que vem ocorrendo.
Esses estudantes, no mínimo, são a minha esperança, hoje. Eles não se calaram, não se acovardaram, não se venderam. Lutam o bom combate. A utopia, no melhor sentido da palavra, um sonho, pode voltar! Quando tudo falha, os jovens jovens como esses, capazes de assumir seus sonhos ? podem mostrar que tudo pode ser mudado.
Eles estão a dizer a todos: "Prestem mais atenção em nós e na universidade! Estamos a pedir socorro! As coisas estão muito mal!". Frente a isso, há que se atentar para esse alerta desesperado. Desesperado, sim. Já há um semestre sem aulas, ainda tendo que continuar a greve, porque não houve atendimento do essencial. Não houve atendimento à instituição universidade e nem aos professores e alunos. Apelos não foram ouvidos. O grito ficou ainda mais ecoante! Pais, sociedade organizada, pessoas que acreditam que o país pode mudar para melhor, não ignorem esses gritos todos, ainda que estejamos roucos, ainda que sejamos poucos. É vital o pedido de socorro! Que todos escutem e ajam: não dá para esperar mais.
■ Os artigos devem conter dados do autor e ter no máximo 3.800 caracteres e no mínimo 1.500 caracteres. Os artigos publicados não refletem necessariamente a opinião do jornal. E-mail: opiniao@folhadelondrina.com.br


