Passado o grande tumulto na educação escolar do Estado do Paraná, gerado pela greve dos professores, um novo debate entra em cena: o cumprimento do calendário escolar.
A Secretaria de Estado da Educação (Seed) e a APP-Sindicato discutem e sugestionam formas de cumprir a carga horaria (800 horas) e os dias letivos (200), conforme determina a lei.
É claro que junto com isso vem o debate sobre o cumprimento dos conteúdos previstos, que todo aluno tem direito de trabalhar e aprender. Entretanto, salvo muito me engano, pois já tem precedente, quando acharem um denominador comum para resolver o impasse das horas e dias letivos, a questão da qualidade de ensino e aprendizagem pouco interessará.
É triste dizer, mas a qualidade do ensino e aprendizagem subjetivamente está relegada a segundo plano para o governo, para a maioria dos professores e, pasmem, para a maioria dos alunos e pais. O que importa é a nota e passar de ano.
Mas, não percamos as esperanças. Todo esse contexto pode mudar. Basta inverter a lógica educacional vigente pautada em estatísticas e números e colocar como prioridade a qualidade do ensino e aprendizagem.
Para isso, é necessário romper com o modelo de escola tradicional, que se organiza fundamentalmente pela transmissão do saber, e optar por metodologias alternativas que, de fato, convirjam para os objetivos expressos na Constituição Federal e nas Leis de Diretrizes e Bases da Educação Nacional: "... visando o pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho".
As mesmas leis destacam ainda os princípios da liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber. Como sugestão indicamos metodologias em que a aprendizagem esteja baseada em proposições investigativas e projetos, que permitam um ensino contextualizado, transdisciplinar e interdisciplinar, que respeite a identidade e o contexto histórico e cultural do aluno, que esteja atento às necessidades e possibilidades da comunidade escolar.
Metodologias nas quais o aluno seja protagonista na produção de seu próprio saber e o professor, com habilidade e competência, seja o mediador do processo.
É preciso acordar e perceber que enquanto as escolas brasileiras insistem em ensinar e reproduzir conteúdos quilométricos e sem muita utilidade prática o contexto do século 21, em todas as suas nuances, requer a capacidade de análise, síntese e inovação.
Se não for nessa linha de pensamento, qualquer discussão sobre reposição de calendário escolar será apenas palco para disputas de egos, pois será negligente e vazia de um objetivo maior, deixando cada vez mais distantes conquistas como qualidade da educação, produção de saber, emancipação e transformação social.

LUIZ GONZAGA DE MELO é professor e assessor pedagógico do Programa A União Faz a Vida em Ibaiti

■ Os ar­ti­gos de­vem con­ter da­dos do au­tor e ter no má­xi­mo 3.800 ca­rac­te­res e no mí­ni­mo 1.500 ca­rac­te­res. Os ar­ti­gos pu­bli­ca­dos não re­fle­tem ne­ces­sa­ria­men­te a opi­nião do jor­nal. E-­mail: opi­niao@fo­lha­de­lon­dri­na.com.br

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