Espaço Aberto
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quarta-feira, 10 de junho de 2015
Célio Pezza 
O governo encomendou pesquisas para entender a enorme rejeição que o brasileiro tem pelo PT. Alguns marqueteiros do governo dizem que é preciso "desconstruir" o discurso da oposição. Ora, não é preciso gastar mais do nosso dinheiro para ver o óbvio. O PT traiu seus próprios ideais ao longo do tempo, quando permitiu que a maior onda de corrupção tomasse contra do País. Um partido que se dizia contra os corruptos não poderia nunca agir dessa forma e, hoje, é muito pior do que todos aqueles que combatia no seu início, para decepção de muita gente.
Alguns dizem que uma parte da sociedade (elites) tem ódio do PT; na verdade, grande parte da sociedade tem sim indignação contra um bando de corruptos que montou um plano para sugar ao máximo as riquezas do Brasil. Quem tenta dividir o País pelo ódio é o PT, com seus discursos absurdos, como o caso da filósofa petista Marilena Chauí que, perante uma assembleia do PT, berrou sob os aplausos de Lula: "Odeio a classe média, pois é o que tem de pior, reacionário, conservador, ignorante, petulante, arrogante". O próprio Lula fala toda hora sobre uma "herança maldita" quando se refere ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e se esquece de mencionar alguns de seus grandes feitos na economia do país, como o controle da inflação. Lula, que joga pobres contra ricos, empregados contra patrões, tentando dividir o país, quando é perguntado sobre roubos e corrupção dentro do seu partido, aí não sabe de nada.
Existe, sim, muita indignação no país. Indignação contra a arrogância dos governantes, contra a incompetência, corrupção e a mania de sempre querer transferir a culpa para o outro. O PT fez de tudo para ganhar as eleições para, em seguida, fazer exatamente o contrário do que pregou durante sua campanha e mergulhar o país numa economia caótica. De quem é a culpa? Será que vão gastar mais dinheiro com marqueteiros e mídia tentando enganar o povo e dizendo que são vítimas e não culpados?
São os velhos que fabricam as armas que os menores infratores usam; são os velhos que produzem as drogas que os menores infratores consomem e também comercializam, a mando dos velhos; são os velhos que produzem as bebidas alcoólicas, que entorpecem e geram violência e acidentes, muitas vezes fatais; são as indústrias dos velhos que produzem as armas brancas pontiagudas, que também servem como frequente instrumento para matar semelhantes; são os velhos corrompidos do Congresso Nacional que agora querem rebaixar a idade dos jovens infratores, para assim encarcerá-los.
Sim, a maioria da sociedade já se manifestou favorável a essa redução. Não entro no mérito de condenar ou avalizar essa postura, senão mostrar que por trás de tanta criminalidade praticada por esses jovens estamos todos nós, os velhuscos, criando e fornecendo mecanismos favorecedores da delinquência juvenil. Somos todos nós, os velhos com poder de decisão, que negligenciamos ante a dura realidade das misérias sociais, porque só nos inspira a punição, e assim pensamos estar resolvendo o problema.
É o sistema social e governamental (ressalvados os cidadãos conscientes, que também são muitos) que se mantém indiferente ante milhões de famílias miseráveis, possibilitando aos filhos os desvios para o assalto e o roubo, porque também eles apreciam os bens, que devem ser para todos. É natural a idêntica cobiça daqueles que não os alcançam e não veem perspectivas de alcançá-los. Não são esses adolescentes que regem a ordem governamental corrupta, esbanjadora e irresponsável ante os dramas da pobreza, parceira próxima da propensão aos delitos. Sim, os menores infratores são violentos e perigosos, mas nós, os adultos, somos todos santos homens?
Nós, os mais velhos, que nos supomos a parte sã da sociedade, muito provavelmente vamos assistir à redução da maioridade penal, e, diante da realidade, iremos dizer que esta foi a solução, mas isto não nos fará puros e não eliminará nossas culpas por favorecer - pelas razões apontadas - a continuidade da delinquência juvenil.
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