Opinião Atualizado em 28/05/2015, 23:00
ESPAÇO ABERTO
Muito se fala na tal da crise da meia-idade que acomete tanto os homens quanto as mulheres, os deixando meio atordoados e que traz muita desesperança com a vida como se ela tivesse chegado a um ponto final e mais nada interessante pudesse ocorrer. Afinal, essa crise existe? E o que ela é e como se dá? Quando uma pessoa atinge a década dos 40 começa a perceber variadas mudanças em sua vida. A juventude, que propicia um maravilhoso vigor físico e muita ousadia, vai se acabando e nos tornando mais realistas e menos ingênuos. O corpo já não é mais o mesmo e dores e males antes inexistentes aparecem nos avisando que o tempo passa. Essas mudanças, que nos trazem limitações físicas, nos assustam porque jogam em nossas caras que temos prazo de validade e que, ao contrário do que acreditávamos quando jovens ,não temos todo o tempo do mundo e nem tudo podemos.
Tornar-se consciente dessas mudanças e limitações causa algo em nós. Mexe com o que conhecíamos e impõe que mudemos internamente, ou seja, nos demanda um trabalho interno para construirmos novos valores e formas de vir a ser. Muitas pessoas, tão apegadas ao que foram e com medo do que podem ser, negam as mudanças que se apresentam e tentam viver como antes, como se o tempo não passasse e pudesse ser controlado com atitudes que os levariam à vida anterior. Tentam, forçosamente, parecerem adolescentes através da fala, das atitudes, das vestimentas e da visão de mundo.
Ao mesmo tempo que a passagem do tempo nos tira a força física e impõe limites, temos a maravilhosa oportunidade de criarmos uma nova mente, que permita enxergar a vida com novos olhos. Com as experiências de vida podemos perceber que não há só perdas em ganhar idade, mas ganhos que se encontram na dimensão subjetiva. Sair, então, da crise da meia-idade é poder fazer uso dos ganhos internos que a vida nos proporciona e criar uma vida nova, mas agora não mais baseada nos arroubos e ilusões juvenis, mas na sabedoria que o tempo nos presenteia.
SYLVIO DO AMARAL SCHREINER é psicoterapeuta em Londrina
Dignidade. Palavra-chave para o magistério. Os profissionais da educação do Paraná estão parados à procura dela. Esperando por ela. Dignidade é a qualidade moral que infunde respeito; é a consciência do próprio valor; honra, autoridade, nobreza; modo de alguém proceder ou de se apresentar que inspira respeito; solenidade, gravidade, brio, distinção.
No cotidiano escolar os professores lutam contra todas as adversidades para poder exercer a profissão com o mínimo de dignidade. Faltam-lhe quase tudo: ambiente saudável, material adequado para o pleno exercício das atividades pedagógicas, avanço tecnológico, apoio governamental, aprimoramento acadêmico, tempo, espaço, silêncio, prazer, reconhecimento...
Em contrapartida, sobram dedicação, responsabilidade, discernimento, criatividade, resiliência... Mas será que se pode ter sucesso em alguma atividade coletiva apenas com esses requisitos? Coletivo. Esse é o âmago da questão. Não se tem sucesso sozinho em algo coletivo. Precisa-se de apoio.
Os professores estão em greve não apenas para garantir o que lhes é de direito, mas também para serem ouvidos, respeitados e distinguidos como uma categoria imprescindível para o desenvolvimento de um país, para a formação das gerações que comandarão a nação.
São aqueles que educam as crianças e jovens, descobrem-lhes os talentos e aptidões, cerceiam-lhes as más tendências, cobram-lhes atitudes e responsabilidades, impõem-lhes limites. Logo, precisam ter sua dignidade reconhecida, valorizada.
A sociedade brasileira e o governo precisam, urgentemente, acreditar no valor e na importância do professor e da educação. Não apenas acreditar, mas provar, investir, demonstrar que eles e ela são, realmente, imprescindíveis para a construção de uma nação democrática e desenvolvida, caso contrário, o Brasil continuará como sinônimo apenas de samba, futebol, prostituição e pedofilia. Um povo alegre e inculto, fácil de enganar e ludibriar. O Brasil continuará a ser ... Brasil! Triste realidade.
ELENICE SAVIANI é professora da rede estadual de ensino em Londrina
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