Opinião Atualizado em 27/05/2015, 23:00
Espaço Aberto
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 27 de maio de 2015
Anderson Gurgel 
A prisão de dirigentes "de peso" da Fifa mostra que a complexidade do atual sistema capitalista. Se ao mesmo tempo, chegamos a isso tudo por causa da forma mercantilizada com que os cartolas tratam o futebol, esse mesmo sistema não está mais tolerando os modelos "tradicionais" de gestão dos clubes e entidades esportivas: sem transparência, patrimonialista e exuberantemente permeável a múltiplas formas de corrupção.
Apesar de ser o início de uma investigação e ainda sem certeza de culpas e de eventuais punições, a notícia é um fato que dá esperança. Sim, é algo que pode ser visto como positivo, pois mexe com a estrutura atual do futebol mundial e mostra que a modelo precisa de mudanças urgentes.
A diferença do fato em relação aos sucessivos escândalos que já vinham sendo feitos ao sistema Fifa e parceiros é que, desta vez, as denúncias levaram a um processo nos EUA com a aplicação das atuais e bem rigorosas leis anticorrupção de lá. Isso realmente é um fato novo e pode gerar desdobramentos surpreendentes nos próximos dias.
É importante lembrar a pressão sobre a Fifa vem num crescendo há bastante tempo. A entidade saiu do Brasil com a imagem extremamente arranhada, pois a gestão da Copa de 2014 só foi benéfica para ela. O Brasil ficou com a conta para pagar. Os protestos não perdoaram a entidade.
Em nível internacional, a péssima imagem acentuou-se com a definição de Rússia e Catar para as Copas de 2018 e 2022. Há inúmeras suspeitas de irregularidades nessas escolhas. Pode ser que isso entre novamente no foco das discussões. O cenário de "tempestade perfeita" é completado com o fato de que, em alguns dias, haverá eleições na Fifa. Ainda que os dirigentes neguem, tudo o que está acontecendo levou o modelo da entidade máxima do futebol "ao chão". A conferir como e se a entidade conseguirá sair desse escândalo.
ANDERSON GURGEL é professor de Comunicação Esportiva da Universidade Mackenzie em São Paulo
Imagino que muitos descrentes de Deus são pessoas desencantadas com as religiões por rejeitarem os rumos que elas tomaram, ao pregar equívocos como verdades, e porque, sobretudo as igrejas eletrônicas, converteram-se em empresas arrecadadoras de dinheiro e enriquecedoras de seus titulares. Destas, poucas obras sociais se conhece e pouco avanço espiritual dos fiéis, porque elas motivam, mas pouco conscientizam. Ateus e agnósticos são quase iguais. Aqueles não acreditam na existência de Deus e estes só aceitam o que for comprovado. Não se imagina como querem comprovar Deus à luz de experimento científico, da aridez espiritual e da curta evolução humana.
Abordo essa questão depois de ler na revista "Veja" a entrevista com o biólogo inglês Richard Dawkins, conhecido defensor do ateísmo. Por considerar as religiões como "retrógradas e contrárias ao progresso da ciência", penso que até ele se confunde e decida, por extensão, também negar Deus. Não há como associar ambos, porque o Deus que os mais iluminados cultuam não é inteiramente o Deus das igrejas. Porque estas o classificam como bondoso, mas capaz de irar-se, de infundir temor e de nos remeter para castigos em "infernos de fogo", e por toda a eternidade... Certo é que as igrejas não representam Deus, e Deus não representa as igrejas. Porque pode-se saber Deus e sentir Deus sem vínculo com religiões.
Em suas declarações à revista, Dawkins comete o que considero uma contradição ao aconselhar os jovens cientistas que se inspirem na "maravilha do universo". Ora, como exaltar esta maravilha sem admitir um superior poder que a haja criado? Não professar uma religião é do livre-arbítrio, mas é no mínimo uma postura ingênua e insustentável contemplar a beleza do universo e não imaginar como e por quem tamanha obra foi concebida. Resultado de um big bang? Sim, mas quem armazenou essa massa de energia e a converteu em poderosa bomba cósmica, fazendo-a explodir-se e resultar em constelações e galaxias e sóis e planetas habitados? Dawkins fica nos devendo esta explicação.
WALMOR MACCARINI é jornalista em Londrina.
Os artigos devem conter dados autor e ter no máximo 3.800 caracteres e no mínimo 1.500 caracteres ols artigos publicados não reflete necessariamente a opinião do jornal. E-mail: opiniao@folhadelondrina.com.br


