Opinião Atualizado em 04/05/2015, 23:00
ESPAÇO ABERTO
Vivemos um ano de incertezas. Há tempos, não víamos o Paraná com tamanho destaque negativo nos noticiários nacionais. Estamos vivendo o auge da crise financeira, temos o dólar e a inflação com uma alta descontrolada, presenciamos uma ampla investigação envolvendo a corrupção na Petrobras e as greves no setor público contribuem com a falta de harmonia na vida do paranaense.
Nesse momento, nos perguntamos como é possível reverter uma situação de tamanho pessimismo. Nós, cidadãos, especialmente os empresários, já passamos por muitos percalços e com certeza ainda passaremos. A solução não é um segredo. Se você ainda não se identificou, vale destacar a frase do célebre Charles Darwin, que trouxe à tona a teoria da evolução: "Não são as espécies mais fortes que sobrevivem nem as mais inteligentes, e sim as mais suscetíveis a mudanças".
Chegou a hora de se reinventar, assim como inúmeros empreendedores Brasil afora que buscam novas ideias e conquistam o sucesso através da inovação. O paranaense, conhecido pela sua garra e espírito cooperativo, deve estar na linha de frente dessa nova geração.
A inovação também pode se iniciar com muita investigação e novas parcerias que venham fortalecer as relações e os negócios. No associativismo, filosofia aplicada na maior parte do nosso Estado, há inúmeros casos de empresas que, somando esforços, alcançaram muito mais do que imaginavam: além de sua própria melhoria, conseguiram aprimorar suas comunidades com o desenvolvimento local. É preciso ampliar nossa visão e entender até que ponto podemos focar e nos especializar em uma nova nuance no mundo. Buscar novas formas de organização e competências em gestão são fundamentais para o desenvolvimento e a sobrevivência nas atuais circunstâncias. Subsídios, todos nós temos. Basta encontrá-los neste mundo de possíveis soluções. Paranaenses, avante!
GUIDO BRESOLIN JUNIOR é empresário e presidente da Federação das Associações Comerciais e Empresariais do Estado do Paraná
As cenas ainda estão claras para mim que participei ativamente das manifestações, semana passada, em frente ao Centro Cívico, em Curitiba, engrossando os protestos contra o projeto de lei do governo que alterou o sistema de previdência dos servidores públicos do Paraná. Como muitos dos
manifestantes professores, estudantes e servidores estaduais -, entendi que a força policial promoveu um massacre violento e desproporcional.
Quero frisar que essa atitude tem ser creditada não só ao governador Beto Richa, mas também ao comandante-geral da Polícia Militar do Paraná, César Vinícius Kogut, que assumiu a responsabilidade pela força policial que confrontou a multidão no Centro Cívico.
Sabemos que nada acontece sem uma cadeia de comando formada pelo governador, secretário de Segurança Pública, Fernando Francischini, e finalmente pelo presidente da Assembleia Legislativa do Paraná (AL), deputado Ademar Traiano (PSDB). Espero que todos tenham ciência que, para seus currículos, a atitude de confronto com os servidores representa uma mancha inapagável.
Qualquer declaração para desqualificar, marginalizar, criminalizar uma ação legítima, num estado democrático de direito, mostra o despreparo, a falta de responsabilidade e a falta de noção básica de uma ação que poderia ter sido evitada. Não há Paranaprevidência que pague uma vida, que felizmente não foi ali ceifada.
O grande intelectual católico e resistente francês François de Menthon, procurador da França no Tribunal de Nuremberg, pronunciou esta frase, que define o que se passou no dia 29 de abril de 2015: "Crime contre le statut dêtre humain, motivé par une ideologie qui est contre lespirit, visant a rejeter lhumanité dans la barbarie".
Se houve comemoração por parte dos nominados acima, ao final do processo, foi uma vitória de Pirro. Não fomos derrotados, pois cada lágrima, cada gota de sangue derramado, cada corpo ferido é o que fica para a história dos que execrarão a memória dos responsáveis para sempre. Se o 30 de agosto é lembrado ano a ano pelo magistério paranaense, agora teremos também o 29 de abril como uma mancha inapagável pelos séculos vindouros.
RONALDO JOSÉ NASCIMENTO é professor do departamento de Educação Física da Universidade Estadual de Londrina
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