Sem realidade
Sylvio do Amaral Schreiner
Andando um dia desses no Calçadão de Londrina vi um homem falando ao microfone ligado a uma caixa de som seu entendimento sobre a Bíblia. Bom, para sermos mais honestos discursando seu desentendimento sobre aquilo que leu ou foi lido para ele. A ignorância é algo sério e que pode causar muito mal, pois a ignorância é sempre destrutiva.
No discurso ele conclamava todos a condenarem os adúlteros e homossexuais à morte entre inúmeras outras besteiras desse quilate, pois segundo ele essa é a lei bíblica e quem não age desta maneira está condenado ao fogo do inferno. Esse homem, provavelmente, tem um intenso funcionamento psicótico que é quando uma pessoa perde o contato com a realidade. Quantas pessoas escondidas sob as palavras religiosas não estão se comportando de forma psicótica? Não só religiosos, mas qualquer discurso que demonstre certo fanatismo geralmente tem como fonte uma falta de contato com a realidade.
O funcionamento da psicose leva a um desentendimento da realidade. Para essas pessoas, o que é real é descartado e só passa a existir um pensamento intensamente investido que se torna internamente como um dogma, ou seja, uma verdade inquestionável. Só que esses pensamentos não são verdadeiramente pensamentos, coisas que puderam ser elaboradas. Eles não foram pensados, foram agarrados e alguém agarrado a uma dada ideia fixa pode se tornar perigoso já que não aceita a diferença e nada que o contradiga. Claro que nem todos os psicóticos oferecem perigo, mas a loucura que se crê dona da verdade é algo perigoso.
Esse homem discursando no Calçadão, no momento que passei por ele, não estava sendo ouvido por ninguém. As pessoas continuavam seu caminho sem nem ligar para o que ele dizia, mas fico imaginando o estrago que poderia ser se uma pessoa sem muito contato com a realidade passar por ele e tomar suas palavras como verdades. O desentendimento para com a realidade pode ser extremamente danoso para toda a sociedade.

SYLVIO DO AMARAL SCHREINER é psicoterapeuta em Londrina




Mudar o nível de consciência
Walmor Maccarini
Fragmentos de palavras de Jesus em recente mensagem nas suas "Cartas de Cristo". Quando percepções espirituais novas são apresentadas a uma mente que está religiosamente doutrinada, elas são recebidas como se viessem "de satanás". Qualquer tese ou suposição que provoque confusão na mente condicionada será recusada por uma barreira de "provas", mas estas não são provas e sim apenas crenças.
Jesus diz que a consciência pessoal é inteiramente responsável por tudo aquilo que lhe chega; que cada consciência traz para si o bem ou o mal e que no subconsciente cada qual carrega lembranças fortemente impregnadas, ainda que ocultas, de traumas e emoções de vidas anteriores e que podem irromper e afetar a consciência atual. Que a oração fervorosa e específica para aliviar algo pode receber resposta, mas a longo prazo será de pouco proveito se a mente e o coração continuarem em contravenção com a lei universal do amor e se o orante viver com atitude mental de crítica constante. Essa lei não é prêmio nem castigo divino.
Seu ensinamento é que não se pode efetuar mudanças permanentes na vida a menos que se mude o nível de consciência. Porque a consciência egoica bloqueia o fluxo do divino, gerando uma infecção mental contagiosa, que se manifesta pela forma egocêntrica de viver, gerando distúrbios de saúde, vícios, mudanças climáticas, degradação do meio ambiente e o massacre de populações.
Jesus, por falar nestes tempos, se utiliza de palavras da atualidade e diz que faz o alerta sobre tais fatos não para amedrontar e sim advertir a humanidade para a fonte dos inqualificáveis horrores que diariamente ocorrem. E que quando os impulsos de consciência são de natureza violenta, admitem partículas elétricas de origem virulenta, agressiva e homicida, que tomam forma de vírus venenosos no ar, propagando-se. Não há punição vinda do alto. É o homem, por meio do exercício prejudicial do poder do ego, que atrai para si a própria punição. A consciência cria a realidade; é o tecido com que cada qual elabora sua existência.

WALMOR MACCARINI é jornalista em Londrina

■ Os ar­ti­gos de­vem con­ter da­dos do au­tor e ter no má­xi­mo 3.800 ca­rac­te­res e no mí­ni­mo 1.500 ca­rac­te­res. Os ar­ti­gos pu­bli­ca­dos não re­fle­tem ne­ces­sa­ria­men­te a opi­nião do jor­nal. E-­mail: opi­niao@fo­lha­de­lon­dri­na.com.br

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