ESPAÇO ABERTO
PUBLICAÇÃO
domingo, 26 de abril de 2015
Julio Cesar Paneguini Correa 
No mês de janeiro participei da convenção de vendas da empresa onde trabalho. O tema escolhido por nós foi "Atitude é tudo!". Acreditamos que a maioria dos problemas de uma organização passa pela falta de atitude das pessoas que dela fazem parte. É na solução dos problemas. É na condução de novas estratégias. É na multiplicação da missão, visão, princípios e valores. É na inovação, tão necessária em momentos como este de instabilidade política e econômica que estamos enfrentando. É a atitude, então, a grande ferramenta para a sobrevivência das organizações.
Quem faz com que uma organização tenha resultados excelentes? É a mente estrategista do empreendedor? É a estrutura física de prédios, máquinas e equipamentos? É o produto? Isto também faz parte de um conjunto de situações que leva ao sucesso, mas segundo Roberto Tranjan, em seu livro "O Devir", o desempenho das pessoas é o grande diferencial.
Segundo ele, o desempenho humano está baseado na capacidade das pessoas em darem sempre respostas técnicas e respostas criativas.
Essas respostas só são possíveis a partir do momento em que as pessoas tenham a capacidade primeiramente de se conhecer, através das vocações e intenções e posteriormente ir desenvolvendo ações como conhecimentos, habilidades e comportamentos.
Voltando então ao tema escolhido para a nossa convenção, a atitude se encaixa perfeitamente na intenção das pessoas. É uma coisa que obrigatoriamente tem que vir de dentro para fora e não o contrário.
As empresas gastam horas e horas com treinamento para tentar colocar algo como atitude dentro das pessoas. Isso não funciona.
Outro erro clássico delas é investir em máquinas, equipamentos, novos prédios, avançados sistemas de software, lançamentos de novos produtos, quando a primeira coisa a ser feita é investir em pessoas e incentivá-las a descobrir por si só o que elas realmente são, o que gostam realmente de fazer e como elas se sentem em situações de adversidades. Deixar, por exemplo, que elas mesmas definam ordem de prioridades nas tarefas diárias. Evidentemente que tudo isso que tem que estar alinhado aos objetivos da empresa.
As pessoas precisam estar livres de regras para conseguir pensar diferente, com a consciência aberta, em exercícios constantes de total ingenuidade, não aquela do senso comum, mas aquela no sentido de colocar para fora como as coisas lhe parecem, sem medo de represarias.
O excesso de regras tem levado várias empresas à falência, por um motivo muito simples: não estão sabendo aproveitar o potencial que cada pessoa guarda dentro de si.
Uma das principais tarefas que um diretor, gerente ou supervisor tem é aquela de nunca dar as respostas a todas as perguntas e sim fazer perguntas constantes em cima de uma determinada situação para que os próprios colaboradores cheguem às respostas. Só assim as pessoas terão consciência do quão grande é seu conhecimento e potencial de aprendizagem.
Voltar a ser criança talvez seja um exercício que devemos procurar fazer todos os dias. Primeiro expulsar todas as coisas de nossa consciência, fazer uma limpa, deletar. Enxergar as coisas com a nossa própria visão. Organizar as coisas de nossa história de maneira um pouco diferente. Mudar caminhos até então traçados por alguma experiência científica.
O filósofo alemão Edmund Husserl disse uma frase que ficou marcada em sua história: "Voltar às coisas mesmas". Apreender o fenômeno no exato momento em que ele acontece sem qualquer teoria que possa atravessar a experiência adquirida. Esquecer conceitos e regras. Pensar fora da caixinha.
JULIO CESAR PANEGUINI CORREA é administrador de empresa em Santo Antônio da Platina
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