Espaço Aberto
Em outra ocasião já escrevi que as encenações da crucificação de Jesus, embora movidas pelo impulso da tradição religiosa, são angustiantes e pouco contribuem para o avanço da espiritualidade. Elas apenas rememoram o martírio dos dias finais de sua passagem terrena . A manifestação é simbólica e pura de sentimentos, porém carregada de representações de violência, consubstanciadas pelos açoites, insultos verbais e outras humilhações, culminando com a morte dolorosa na cruz. Narrativas de traição, fanatismo e visões de sangue pontificam. É um momento em que comunidades cristãs trazem o Jesus-homem de volta ao cenário da tristeza e da dor. Com tantas coisas maravilhosas dele para reviver.
Imagens de Jesus pregado na cruz, do manto púrpura esforço, como se fossem estas as principais razões de sua vinda à dimensão terrena. Veio Jesus, antes de tudo, dizer que o Reino está dentro de nós e que devemos buscá-lo; que somos uma fraternidade (ele incluído), temos um único Pai e devemos nos amar uns aos outros. E não sermos dependentes dele mas caminhantes a seu lado que foi colocado sobre ele por deboche dos algozes, são muito cultuadas, quando melhor seria rememorá-lo com a sua túnica branca original, revive-lo na sua pregação pelas aldeias e campos e pelas sua revelação da fantástica experiencia que vivenciou no monte do deserto; da subida de seu espírito ao plano celestial, da aparição depois da morte física. Mas sobretudo lembrá-lo pelos sábios exemplos e ensinamentos, e nos inspirarmos nele.
Foi mais cômodo para o homem adorá-lo e rotulá-lo de salvador por via do derramamento de seu sangue e pronto para conceder bençãos e graças, com nosso mínimo.
Mais do que seus milagres e o sofrimento na cruz, sempre mais lembrados dos que suas palavras - porque o homem aprecia o inusitado, o fantástico - foi a luz do amor que ele desejou reacender em nós. Mas seus admiradores preferiram desprezar esses ensinamentos e elege-lo como executor das tarefas que seriam deles. Jesus ainda não deu por encerrada sua obra terrena. Por isso clama por seguidores ao invés de suplicantes e crentes equivocados de que ele morreu na cruz para purgar os malfeitos dos homens.
A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura acertadamente denominou o ano de 2015, como Ano Internacional do Solo. No Brasil, a Lei n° 7.876, de 13 de novembro de 1989, institui o Dia Nacional da Conservação do Solo a ser comemorado, em todo o País, no dia 15 de abril de cada ano.
Um pouco estranho dedicarmos tão pouco tempo e cuidados aos nossos solos que provem nosso sustento e onde fincamos nossos lares.
Nas grandes cidades mal o vemos, revestimos tudo com construções, calçadas e asfalto e reclamamos das enchentes quando às bem-aventuradas águas das chuvas não tem onde se infiltrar e com sua força produzem grandes estragos.
Norman Borlaug, Nobel da Paz, o pai da Revolução Verde, em uma de suas visitas ao Brasil em 2006, ao ser perguntado sobre como via o futuro da produção agrícola no Brasil respondeu que não se tem como competir em produção agrícola com um país com a extensão territorial do Brasil que tem água e sol todos os dias, condições estas indispensáveis para o processo fotossintético e produção de alimentos.
Em levantamento recente, realizado e divulgado pela Agroconsult, pela primeira vez a safra brasileira de grãos superará a marca de 200 milhões de toneladas, e o plantel de gado já supera 200 milhões de cabeças, o que levou André Pessoa, coordenador do Rally da Safra, a fazer a seguinte afirmação: O Brasil é um dos poucos países do mundo que produz uma tonelada de grãos por habitante e tem também uma cabeça de gado por habitante. Parece pouco, mas em um país em que a população rural é de apenas 15%, e apenas o PIB do agronegócio tem sido positivo nos últimos anos, é uma demonstração de muita tecnologia, trabalho e eficiência.
Não podemos nos esquecer jamais de que nossa sustentabilidade depende do sol, da água e do solo. Cuidando adequadamente de nossos recursos naturais poderemos continuar dizendo que: O solo nosso de cada dia é a nossa pátria e que cultivá-lo e conservá-lo garantem a sustentabilidade e nossa vida: até que ele nos acolha.
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