Opinião Atualizado em 11/03/2015, 23:00
ESPAÇO ABERTO
Muitos estudiosos falam e ensinam sobre a arte de empreender e ganhar dinheiro nos dias atuais. Todavia, ser um empreendedor bem-sucedido passou a ser o sonho de muitos jovens e tema nas academias. Mas a arte de empreender ultrapassa as quatro paredes de uma sala de aula e as folhas de um bom livro. Dias atrás, me surpreendeu um menino franzino aparentando ter aproximadamente 12 anos de idade que, em meio à multidão de um grande shopping, driblou os seguranças muito bem treinados, sobressaiu com suas vendas entre as grandes marcas de fast-food ao sussurrar no ouvido dos "clientes": quer comprar balinhas ou chicletes? Ao fim do dia, seguiu para casa com a diária garantida. Sim, esse menino não leu bons livros e, possivelmente por motivos sociais e familiares, não terá acesso à sala de aula que é seu lugar. Meninos como esse têm assumido um papel importante na sociedade dos invisíveis, até então visto nos semáforos e nas esquinas dos grandes centros urbanos, compram, vendem e geram lucros para a demanda capitalista. Mas esse não é o lugar certo para eles, porém a circunstâncias os levam a fazer parte desse mundo empreendedor para a própria sobrevivência.
Essa criança comerciante autônomo e morador de periferia tive o privilégio de conhecer por alguns minutos. Ela não só tem garantido parte da sobrevivência familiar, mas a a própria, pois ao viver na clandestinidade comercial optou em não ser reconhecido pelos seus dons de empreender no mundo da criminalidade.
As academias e os livros podem contribuir, mas um bom empreendedor tem em sua gênese a fórmula do empreender e muito mais da sobrevivência. Nessa ótica quase tudo passa a ser balela no mundo empreendedor, pois nas ruas o bom empreendedor é aquele pivete astuto que sobrevive à violência territorial e não se deixa ser levado pela criminalidade, mas em meio às grandes marcas ganhando sua vida e com certeza em um futuro próximo será dono do seu empreendimento em sua periferia.
JOSÉ ANTÔNIO CAMPOS JARDIM é teólogo e pastor em Cambé e presidente estadual da Central Única de Favelas no Paraná
Que haja menos discursos repetitivos em defesa de direitos da mulher, porque isso não é tudo o que ela deseja. O que temos a fazer - nós homens e as próprias mulheres - é exaltá-la e nos conscientizarmos da sublime missão dela (e também do varão) nesta vivência terrena. Vamos tratar de fundir solidamente nossas forças emocionais e amorosas, sem deixar perder-se a graça da feminilidade e o aspecto belo e viril da masculinidade. O homem não pode arrogar-se a presunção de conceder-lhe direitos, porque não é detentor deles. Também ele os requisita, e deve saber que este não é um poder concedente da mulher e sim que é direito natural.
A verdade é que o homem é a parte emocional mais frágil, porque - machão que pareça - tem mais bloqueios e pode chegar a gestos extremos de grosseria ante uma rejeição afetiva dela. Reside aí a fraqueza do homem ser macho. Daí à prepotência pode ser um passo. Muitas mulheres descuidaram da feminilidade e começaram a parecer homens em seus comportamentos, perdendo sensualidade. Isto estabeleceu um desequilíbrio da lei natural. E nada a ver com atividades profissionais. A conscientização acerca do papel de cada um deve ser mútua, porque também a mulher deve saber que não pode extrapolar limites em sua luta reivindicatória, porque poderá ocorrer de os polos se inverterem.
No caso das dissidências pontuais entre o homem e a mulher, há também resquícios de vivências cármicas remotas, e é preciso não agravar isso. A questão não se restringe a direitos da mulher, mas tem a ver também com a libertação do homem face ao seu machismo atávico, inerente à sua própria condição. O maior dom da mulher, perenemente preservado, é o de gerar a vida em seu cálice sagrado, e aí ele é o provedor, ela a receptora. A necessária junção dos eus masculino e feminino não é apenas uma questão de harmonia entre sexos, mas transcende as leis conhecidas. É um exercício espiritual e significa reativar o componente feminino no homem - o que não exclui sua masculinidade - e o componente masculino na mulher. Essa bipolaridade está presente em tudo o que pulsa vida.
WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina
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