Sinal de alerta

Há um mês no concurso miss Amazonas uma cena triste deveria acender um alerta. Duas finalistas ouviram o resultado e a candidata que perdeu primeiramente cumprimentou a concorrente, mas passado um minuto volta até a vencedora e violentamente retira-lhe a coroa gritando que ela não merecia e que havia comprado o júri. Algumas pessoas ficaram escandalizadas enquanto outras aprovaram e aplaudiram.
Triste ver o quanto está faltando nos indivíduos uma mente continente que dê conta de pensar verdadeiramente. Essa candidata que perdeu não possui uma mente desenvolvida que lhe permita pensar e avaliar suas atitudes. Ela conhece apenas reações primitivas à frustração que sente. O problema é que não contar com uma mente continente torna as atitudes deploráveis e destrutivas. Aqueles que aplaudiram e apoiaram essa manifestação de agressividade se identificaram com o que há de mais primitivo e também não contam com mentes que consigam pensar.
Claro que é possível que tenha-se usado meios ilícitos para comprar o concurso. Porém, não é fazendo justiça com as próprias mãos que resolvemos. Isso só piora. Se a candidata preterida se visse injustiçada tem todo o direito de botar a boca no trombone e usar todos os meios cabíveis para uma reparação desse crime. Mas buscar reparações pelos meios civilizados é frustrante porque demanda tempo. A mente primitiva, contudo, não é paciente e quer ser satisfeita agora, não tolera esperar.
Ficar indignado não significa reagir com agressividade. Esta precisa ser contida na mente e resolvida lá. Resolver a agressividade é transformar impulsos que pedem por atuações em pensamentos. Quem não pensa os impulsos agressivos está fadado a atitudes violentas. Essa candidata demonstrando primitividade foi aclamada com audaciosa, mas é mimada e precisa ser educada nos processos civilizatórios. É perigoso quando atitudes assim são valorizadas. A humanidade só tem a perder com a ignorância. Precisamos ligar o sinal de alerta urgentemente.

SYLVIO DO AMARAL SCHREINER é psicoterapeuta em Londrina.




Adaptação escolar

Todo início de ano adaptação é a palavra que mais escutamos nas escolas. É neste período que muitos pequenos começam a frequentar a sala de aula. Devemos entender a adaptação como um processo, já que ela trabalha o desenvolvimento humano como um todo. Para crianças por volta dos dois anos de idade, entrar na escola é um dos maiores desafios enfrentados até então - e para os pais também, pois ambos sofrem com a separação. O início desse processo precisa ser bem elaborado e conduzido com muita atenção e carinho.
Desenvolvemos, há alguns anos, um projeto que tem como objetivo amenizar os impactos dos primeiros dias da vida escolar na criança. Funciona assim: cada aluno recebe a visita de sua futura professora e da coordenadora pedagógica na sua casa alguns dias antes das aulas começarem. Nesse encontro, a professora leva um boneco(a) devidamente uniformizado, que representa o aluninho, e pede para conhecer os espaços da residência, principalmente o espaço da criança, que é seu quarto.
São alguns minutos que funcionam como uma oportunidade para nos conhecermos sem precisarmos esperar até o primeiro dia letivo para isso e que nos ajudam muito na adaptação das crianças e das famílias - já que os pais aproveitam para aliviar seus anseios e criam um vínculo com a escola que se estende, em praticamente 100% dos casos, até o final do Ensino Fundamental.
Durante a visita também são feitas fotos da criança com a professora e sua família. As imagens são reveladas e colocadas em um mural que fica na sala logo no primeiro dia de aula. A foto serve como referência emocional para o aluno, que vai olhar para a imagem e se lembrar daquele momento em sua casa, o que exclui a ideia de total estranhamento ao chegar na escola.
Depois, combinamos com os pais quanto ao tempo adequado para cada criança permanecer na escola. A cada dia o processo evolui, até que o pequeno se integre à escola e a aceita como um ambiente familiar, conhecido e "seu", o que abre infinitas possibilidades para o aprendizado de conteúdos, valores, convivência e relacionamentos.

VERA CRISTINA KUSSEK é pedagoga em Curitiba.

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