ESPAÇO ABERTO
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 09 de fevereiro de 2015
Isabela Reis, Nathália Mie, Patrícia Nakano, Paula Mancebo e Paula Bueno 
A infertilidade é um distúrbio ou condição do sistema reprodutivo masculino ou feminino que dificulta a geração de filhos. Especialistas consideram a infertilidade de um casal como sendo a dificuldade para conceber em um período de 12 a 18 meses, sem uso de métodos contraceptivos e mantendo relações sexuais frequentes. A origem da infertilidade pode ser tanto feminina quanto masculina e/ou ambas.
O quadro de infertilidade é comumente encarado pelos casais que o vivenciam como o evento mais estressante de suas vidas. Isso acontece, em grande parte, devido ao fato de buscarem muitas informações acerca do tema e estarem submetidos a diversos tipos de intervenções e tratamentos médicos (que algumas vezes incluem exames invasivos). Isso pode gerar frustração associada a diversos outros sentimentos negativos, como a tristeza, a ansiedade, o medo e até a vergonha. Além disso, sentimentos de culpa, inferioridade, "vazio", incompreensão, injustiça, isolamento social entre outros, são frequentes nas pessoas que passam por essa situação.
As dificuldades sentidas e enfrentadas por casais que estão passando pela situação de infertilidade são inúmeras. Dentre as mais comuns estão o contato com grávidas (que produz, muitas vezes, o sentimento de frustração na mulher) e a pressão externa para ter um filho. A dificuldade para lidar com as cobranças sociais que ocorrem frente à situação de infertilidade pode desencadear quadros de estresse e ansiedade, resultando em alterações hormonais.
Dentro do quadro de infertilidade, é comum observar determinadas perguntas aos casais por parte dos familiares, e as mais frequentes estão: "Quem tem o problema?", "Nossa, vocês não pensam em ter filhos?", "Você é infértil?", "Você não quer adotar?". Além disso, há também os comentários por parte de amigos dos casais, como: "Ih, tá devagar hein!", "Por que vocês não engravidam logo?", "Você tem algum problema?", "E aí, tem filhos? Ainda não?!".
É importante ressaltar que, de maneira geral, os casais consideram que as maiores cobranças partem dos familiares. Tais cobranças parecem inofensivas aos olhos de quem não está passando pela mesma situação. Entretanto, é essencial compreender que elas trazem muita ansiedade e tristeza para grande parte dos casais.
Por isso, deve-se evitar realizar algumas perguntas relacionadas ao problema dos casais que passam pela situação de infertilidade, por exemplo: sobre o resultado dos exames médicos; a respeito da dificuldade de engravidar, principalmente em eventos sociais (reuniões e festas) e sobre possíveis problemas de fertilidade.
Desse modo, nas situações em que não há comentários negativos sobre a infertilidade do casal, mas apenas a compreensão de que estão passando por uma dificuldade na qual somente o casal sabe a melhor forma de lidar com ela, o casal se sente apoiado pelas pessoas próximas e tende a lidar melhor com a situação, sentindo-se menos estressados e/ou pressionados. Assim, algumas formas de ajudar os casais que passam pela situação de infertilidade são: evitar emitir cobranças, oferecer apoio, se manifestar apenas quando for solicitado, uma vez que uma cobrança excessiva pode gerar ansiedade e sentimentos negativos. Outra maneira de ajudá-los seria por meio do encorajamento e palavras positivas, porém é necessário não tratá-los com piedade e/ou demonstrar um "olhar de dó".
A partir disso, destaca-se a importância do apoio social e familiar para reduzir a estigmatização e os sentimentos negativos decorrentes do quadro de infertilidade. Esse apoio é um importante componente para o equilíbrio emocional frente à infertilidade, uma vez que propicia maneiras mais saudáveis de lidar com as dificuldades que a infertilidade pode trazer.
ISABELA REIS, NATHÁLIA MIE, PATRÍCIA NAKANO, PAULA MANCEBO e PAULA BUENO são alunas do curso de Psicologia da Universidade Estadual de Londrina
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