O crescimento e a popularização das redes sociais imprimiram novas maneiras de colaboradores e empresas se relacionarem. De um lado temos o trabalhador que precisa compreender o alcance de suas publicações e entender que o bom senso da vida "real" é ainda mais válido para o ambiente virtual. De outro, empresas ainda amadurecendo na forma como estabelecem suas relações no meio digital, como divulgam seus produtos e avaliando de que forma podem utilizar esses canais, que se caracterizam como ferramentas de negócios em potencial.
Pesquisa da Nielsen Ibope, em setembro, apontou a existência de 120,3 milhões de pessoas com acesso à internet no País em qualquer ambiente, número 18% maior que o mesmo mês de 2013. Quando se considera o conjunto de pessoas com acesso à web no trabalho ou domicílios o número soma 90,8 milhões. Hoje é difícil encontrar quem não tenha ao menos um perfil em alguma das inúmeras redes socais. Facebook, Twitter, Instagram, Pinterest, Youtube e WhatsApp, entre outras, têm feito cada vez mais parte da rotina das pessoas.
Se utilizadas com responsabilidade podem ser canais muito valiosos de aprendizagem, relacionamento e networking. Porém, as publicações nas redes podem revelar dados importantes sobre o usuário, para o bem e para o mal. E aí é que está o perigo, já que essas informações podem ser "levadas" para o ambiente corporativo. É possível que empresas busquem informações nesses canais para levantar dados e investigar a vida das pessoas, com o objetivo de traçar estratégias para o seu negócio ou mesmo para definir sobre a contratação em um processo seletivo, bem como promoção e até demissão.
E não há ilegalidade em pesquisar sobre o candidato e saber informações sobre ele por meio de seu perfil nas redes sociais. A partir do momento que o usuário cria um perfil em uma rede e o deixa aberto, as informações que estão ali são públicas. Em caso de demissão, o processo é o mesmo e pode levar à justa causa. Casos recentes noticiados pelas mídias, um deles em Londrina envolvendo um colaborador que falou mal da empresa para a qual trabalhava no seu perfil do Facebook, mostram que o que é publicado e comentado nas redes sociais podem levar à dispensa do colaborador.
Mas como evitar decisões extremas? O caminho é a conscientização e o entendimento tanto do trabalhador quanto da empresa, do alcance de uma informação virtualizada. É questão bastante delicada as informações que as pessoas publicam em sites de relacionamento, dada a abrangência desses canais e a velocidade com que esses dados podem se espalhar pelo mundo virtual. Na construção de uma imagem profissional é preciso que o indivíduo esteja atento a essa questão.
A pessoa pode se expressar, mas é importante que leve em conta a conduta e a ética profissional. Não fazer fofoca dentro da empresa e muito menos estender esses comentários para as redes sociais; não falar mal de ex-empregador; evitar discussões com colegas são algumas sugestões de bom comportamento no mundo real e virtual para quem está no mercado de trabalho.
Por outro lado, as empresas também têm sua responsabilidade e a obrigação de estabelecer regras e critérios para o uso das redes sociais no ambiente de trabalho. É importante que tenham um manual de conduta. Algumas organizações, por exemplo, estabelecem que não podem ser tiradas fotos dentro da empresa. Outras determinam que colaboradores devem ir para as reuniões sem o celular. Há ainda as que oferecem programas de educação, inclusive sobre o uso adequado da tecnologia.
As redes sociais são, sim, um fenômeno irreversível. Não há como recomendar a ninguém que não faça parte desses canais. Eles têm potencial incrível e a questão é como utilizá-los e não ter problemas no futuro.

ELEN GONGORA MOREIRA é psicóloga em Londrina

■ Os ar­ti­gos de­vem con­ter da­dos do au­tor e ter no má­xi­mo 3.800 ca­rac­te­res e no mí­ni­mo 1.500 ca­rac­te­res. Os ar­ti­gos pu­bli­ca­dos não re­fle­tem ne­ces­sa­ria­men­te a opi­nião do jor­nal. E-­mail: opi­niao@fo­lha­de­lon­dri­na.com.br

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