Dos cafezais à tecnologia no campo

Quando Londrina completava 33 anos de emancipação política, nascia o Sindicato Rural Patronal de Londrina. No dia 10 de dezembro, a cidade chegou aos 80 anos e a entidade que representa a classe dos produtores rurais pode se orgulhar de fazer parte da trajetória de luta e sucesso da maior cidade do interior do Paraná. Desde que os ingleses aqui chegaram, na década de 1920, e criaram a Companhia de Terras Norte do Paraná, iniciando o processo de colonização, esta terra nunca mais parou de crescer e se desenvolver. Atraídos pela riqueza da terra roxa, pessoas de outras regiões do País, além de imigrantes de diversas nacionalidades, começaram a chegar nos anos seguintes à criação do município para investir, sobretudo, no cultivo do café.
No auge da atividade, a região chegou a produzir mais de 50% do café produzido no mundo, ganhando o título de "Capital Mundial do Café". Em meio a esse cenário, um grupo de produtores se juntou para criar o Sindicato Rural Patronal de Londrina, que teve como primeiro presidente oficial Paulo Carneiro Ribeiro.
Desde então, a entidade vem comemorando conquistas, mas principalmente ajudando o município e seus produtores a enfrentar e superar crises no agronegócio. Foi assim com o declínio da cultura cafeeira na década de 1970, sobretudo após a "geada negra" que dizimou os cafezais. Foi assim com a introdução da lavoura branca e o advento das tecnologias no campo. E assim é até os dias de hoje, com a luta constante junto aos governantes por uma agricultura mais forte e competitiva.
Enquanto Londrina cresce, o Sindicato Rural Patronal trabalha para organizar a classe dos produtores rurais. Nossa entidade já tem cerca de 500 produtores associados, mas queremos (e podemos ter!) muito mais. Afinal, uma cidade cujos alicerces estão no agronegócio precisa honrar suas raízes e manter sempre em destaque a sua pujante atividade agrícola. Parabéns a Londrina e aos produtores rurais que trabalham por ela.

NARCISO PISSINATI é presidente do Sindicato Rural Patronal de Londrina



Saber o que valorizar

Com o fim do ano é mais do que esperado que muitos se sintam mal consigo mesmos. Que final de ano não é assim? O tão terrível hábito de se fazer um balanço é prejudicial. Na verdade, as pessoas não sabem fazer um balanço justo e verdadeiro sobre si próprias e quando alguém faz um balanço o que impera em suas mentes são autocobrança e autocrueldade. O resultado é a pessoa terminar se sentindo pior.
Muitos tendem a olhar para a vida dos outros e se compararem. Nada de bom pode vir da comparação. Na verdade, não há como nos compararmos com outras pessoas, que têm histórias de vida diferentes e experiências distintas. Só podemos mesmo nos comparar conosco, com nossas evoluções, com nossos passos diários. Outro erro que muitos cometem é achar que evolução pessoal tem que ser algo de enorme repercussão e desvalorizam algo muito mais precioso que são as pequenas vitórias do cotidiano. Uma vida é feita de pequenos passos e eles são de vital importância para uma vida estruturada.
Outro ponto que também mina o fim e começo de ano de muita gente é fazer metas impossíveis de serem realizadas. Quando planejamos coisas devemos, antes de tudo, ser realistas, porque quem não é fica meio caminho andado para a infelicidade e, ao chegar o fim de ano, terminam por se sentir fracassada. Estabelecer para si mesmo um objetivo impossível é um meio de fugir da realidade e se agarrar à ilusão, ou seja, não tem como acabar bem. Comparar-se com outros, depreciar os próprios passos e evitar a realidade são atitudes que em nada nos enriquecem e em tudo nos diminuem a autoestima. De forma geral, valorizamos ações que nos empobrecem e até adoecem. Se aprendermos com essas experiências, poderemos transformar a maneira que lidamos com nossas vidas e poderemos ser muito mais humanos, generosos e realistas conosco e com os outros. Muitos deixam de aprender o que devemos de fato valorizar e a consequência é que se não sabemos valorizar o que importa, no final sempre vamos nos sentir mal.

SYLVIO DO AMARAL SCHREINER é psicoterapeuta em Londrina

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