Opinião Atualizado em 18/12/2014, 00:01
ESPAÇO ABERTO
A festa (da democracia) acabou: novos chefes do Executivo nacional e estadual escolhidos, além de deputados e senadores. E agora, José? Maria? Nordestino? Sulista? Brasileiro? Qual rota o País tomará para garantir o sucesso da fórmula que alia e harmoniza desenvolvimento econômico e conservação da natureza, equação cada vez mais óbvia quando o que está em jogo é o futuro das pessoas e das nações? Não sabemos. Durante as eleições, pouco se falou sobre meio ambiente além do óbvio: que é preciso protegê-lo. Temas mais profundos relacionados à conservação de nosso patrimônio natural e indispensáveis para a garantia da qualidade de vida da população receberam pouca ou nenhuma atenção na pauta de discussões públicas.
Além de possíveis soluções e das implicações da severa crise hídrica pela qual passa o país, também ficaram em segundo plano discussões sobre a proteção e ampliação do Sistema Nacional de Unidades de Conservação, sobre o estabelecimento de uma política nacional de adaptação às mudanças climáticas e até mesmo sobre como estimular a pesquisa científica para preencher o imenso vazio de conhecimento a respeito de nossas áreas naturais nativas e das espécies que nelas existem.
Será que nos tornamos indiferentes à questão ambiental? A mea culpa cabe a quem? Aos eleitores que desconhecem o impacto da proteção da natureza em suas vidas e não exigiram propostas relacionadas ao assunto? À mídia que não levantou a pauta porque não suscitava interesse em seus públicos? Aos candidatos que despriorizaram o tema por acreditar que propostas relacionadas à conservação da natureza não se convertem em votos? Parece improvável que a responsabilidade recaia sobre um único grupo, mas é evidente e inquestionável que os resultados e impactos serão sentidos por todos. E então?
MALU NUNES é engenheira florestal, mestre em Conservação e diretora executiva da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza em Curitiba.
As igrejas não cultuam Papai Noel, reverenciado como alguém que presenteia - e nada há de errado que ele seja lembrado -, mas não se pode vinculá-lo ao Natal. Ele é mais um deus do comércio e das crianças que foram ensinadas a cultivá-lo como o "Bom Velhinho". Importante que as igrejas não tenham se curvado a essa veneração, embora as famílias cristãs, na maioria, o exaltem neste período do ano. Já vimos crianças assustadas diante de um papai-noel estilizado, destes que povoam os shoppings e as lojas, mas certamente elas se encantariam se ali houvesse presépios e apreciariam ver o símbolo do bebê deitado na manjedoura - porque alguém semelhante a elas.
Se Jesus não nasceu em dezembro não importa, mas se a Igreja decidiu estabelecer este mês como o do célebre advento de Belém e a humanidade cristã se habituou a isso, não se pode trocar Jesus por Noel. Isto é de certa forma uma heresia. E se as igrejas nunca reverenciaram Noel, também não deveriam pregar que Jesus é Deus, deixando supor, por extensão, que foi Deus que nasceu dois milênios atrás, e, em continuidade, permitir publicações até de eminentes sacerdotes de que Deus foi "pendurado na cruz". Ora, Jesus foi quem nasceu em Belém e Jesus foi quem os homens crucificaram. Uma contradição se Jesus falava do Pai e se as igrejas passaram até a proclamar que ele é seu "filho unigênito", portanto, único filho - este outro equívoco, atribuído a Paulo, eis que todos somos filhos do mesmo Criador, portanto, compondo a fraternidade universal, Jesus aí incluído.
Ensinamentos incorretos (e eles são tantos) contribuem para afastar da igreja fieis mais esclarecidos e mais questionadores. Alguns passaram a descrer do Deus pregado pelas religiões dominantes - um Deus punidor que permite um imaginário "fogo de inferno" e capaz de irar-se e a quem devemos ser tementes. Não será um édito papal ou de outra hierarquia que modificará essas coisas. As mudanças se operarão a partir da postura dos fieis. Estes é que, progressivamente, edificarão a nova igreja.
WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina.
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