Para quem quer a paz


Paz é uma palavra bonita. Cheia de significados ideais para o mundo todo. Imagine a humanidade toda em paz! Acho que por seu teor onírico, ela está presente na maioria dos discursos. Quase todo mundo fala em paz.
Desejamos muitas coisas em nome da paz. E desejar tem seus méritos, talvez tudo nasça de um desejo. Mas o desejo não basta. E eu sei que mesmo se desejar todas essas coisas com muito afinco, não vai adiantar nada. Eu preciso cuidar do meu desejo, preciso fazer alguma coisa com ele. Preciso trabalhar no mundo concreto em nome do meu desejo. Muitas pessoas fizeram isso pela paz. Um movimento homérico em nome desse ideal. Nelson Mandela, Madre Teresa de Calcutá, Martin Luther King, Irmã Dulce, Betinho e muitos outros. Eles desejaram a paz e foram à luta. Eles fizeram mais que desejar, eles serviram a esse propósito e dedicaram toda uma vida a isso. E, é claro, tiveram resultados e deixaram o mundo melhor do que encontraram.
O desejo isolado, alienado de uma ação, é como um sonho maravilhoso que alguém teve e ficou sonhando a vida toda e, quando deu por si, estava velho demais para lutar pelo seu sonho. Só para ilustrar, leia a história "A menininha dos fósforos" (versão de Hans Christian Andersen) e você vai entender que o desejo sem atitude pode ser, além de inútil, perigoso.
No mundo todo milhares de pessoas desejam a paz. E a questão é: desejos não bastam! Eles são o ponto de início luminoso para qualquer ação, mas só o ponto de início. Não se esqueça disso. Em muitos discursos, a paz é só um desejo, como um ventre fértil que nunca gerou vida.
Se você deseja a paz, faça a paz. E lembre-se, quando desejar muito alguma coisa, aja no mundo em nome do seu desejo. Para que ele, não seja só um desejo bonito. E quando falar para alguém que você quer a paz no mundo, pergunte a si mesmo, como é que você luta por isso. E, fique em paz!

KELLY SHIMOHIRO é psicóloga em Londrina



Presentes novos também aos carentes


Neste final de ano é mais frequente receber e dar presentes, mas se fazemos doações a pessoas carentes, tomemos o cuidado de não transformá-las em depósito de nossas coisas inservíveis. As campanhas de coletas são louváveis, e atendem à causa dos que precisam, mas também podemos doar-lhes coisas novas, com etiqueta e aquele cheiro de loja. Pessoas pobres raramente recebem um presente novo, mas elas têm direito a essa consideração e também apreciam coisas exclusivas, que nunca foram usadas por ninguém.
Aos nossos familiares e outras pessoas amadas, no geral damos presentes novos, nos aniversários, no Natal e fim de ano e outros momentos especiais. Então, com relação aos carentes, vamos presenteá-los com o mesmo estilo e a mesma elegância. Ademais, comprando o novo acionamos o dínamo da economia, mobilizamos as fábricas, contribuímos para a geração de empregos. Fora do âmbito familiar e demais relações íntimas, cada um presenteando um já basta. São muitos os que recebem de bom grado um presente usado, então se for roupa ou calçado, que eles estejam em bom estado; e se for um eletrodoméstico, deve estar funcionando, do contrário estaremos criando um ônus a quem o receba e tenha que consertá-lo.
Ficar com o velho consertado e presentear com o novo alguém que nem conhecemos, parece difícil de digerir. Mas eis aí a hora para testarmos nosso verdadeiro desprendimento. Contudo, se alguém nos pede algo, mesmo que usado e aceitando da forma que está, então tudo bem. E que nada se faça por obrigação, mas porque nos agrade fazê-lo.
Mas o que fazer com tanta coisa velha? Uma boa resposta será combater o mal pela raiz, só adquirindo para nosso uso as coisas realmente necessárias. E se compramos só coisas úteis, vamos usá-las até que se gastem e depois jogá-las no lixo. Acumular velharias só atrai mais coisas semelhantes. (Recomendo ler sobre o feng-shui - está no Google).
Dar presentes é bom, recebê-los também. Isto alegra a vida. Não é preciso que o façamos só em ocasiões especiais, mas sempre que tivermos vontade.

WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina

• Os ar­ti­gos de­vem con­ter da­dos au­tor e ter no má­xi­mo 3.800 carac­te­res e no mí­ni­mo 1.500 caracteres ols ar­ti­gos pu­bli­ca­dos não re­fle­te ne­ces­sa­ria­men­te a opi­nião do jor­nal. E-mail: opi­niao@fo­lha­de­lon­dri­na.com.br

mockup