'Quinteto fantástico'


Com a expectativa de ser, ela própria a grande condutora da questão econômica no País no segundo mandato, ao anunciar o trio que deverá ser responsável pela Fazenda, Planejamento e Banco Central no próximo mandato, a presidente Dilma Roussef optou por uma solução sem espantos: um conservador, quase liberal para a Fazenda, Joaquim Levy; um empreendedor para o planejamento, Nelson Barbosa e manteve na condição de guardião, o atual presidente do BC, Alexandre Tombini.
Com isso, procura manter o equilíbrio entre desenvolvimento e segurança, apostando em figuras públicas com experiência e vivência nos setores público e privado: Levy, que ajudou FHC e Aécio (assim como Henrique Meirelles, de mesma origem, auxiliou Lula nos mandatos anteriores), apostando que "campanha é campanha, realidade é realidade" e para conduzi-la nada melhor que os liberais na economia e os utópicos no planejamento, tendo na figura do presidente do BC, o ponto de equilíbrio entre as duas correntes.
Caberá, certamente, à presidente sempre a última palavra entre acelerar ou conter. E para isso, talvez, ela reserve ao futuro ministro chefe da Casa Civil, Aloisio Mercadante, também economista, um papel de maior destaque na condução das questões político-partidárias que envolverão o próximo mandato. Saindo-se bem da futura tarefa, ele despontará, certamente, como o "pai" do PAC ou outra alegoria que for inventada para manter a aliança entre o PT e o PMDB por mais uma década de poder no pós Dilma.

ADOLPHO QUEIROZ é cientista político e professor da Universidade Mackenzie em São Paulo




Lavouras d’água


O geólogo e explorador alemão Reinhard Maak (1892-1969) foi um pesquisador visionário que na década de 30 previu o futuro ambiental paranaense, alertando sobre os riscos da devastação desenfreada de suas matas. Hoje considerado celeiro do Brasil e com poucas matas, o Paraná está em processo de desertificação. Percebemos pela seca um produto agrícola bem mais nobre e essencial do que soja, milho ou trigo: a água! Os agricultores estão cuidando gratuitamente desse bem comum: R$ 4 bilhões são pedidos por ineficiência de gestão hídrica. Transformando o volume de água perdida em valor financeiro, o prejuízo atingiu R$ 7 bilhões em 2008. Desse total, 60%, ou o correspondente a R$ 4,2 bilhões, poderiam ser recuperados, "se fosse melhorada a eficiência".
Há ainda o interesse básico da Sanepar e da Copel que precisam cuidar de sua função de fornecer água e energia, já que ambos têm a água como matéria-prima.
Em Rolândia, a Sanepar perfurou recentemente 22 poços artesianos: todos secos ou inviáveis. Sem criar impostos novos, cada cidadão que gasta em média 150 litros de água diariamente poderia ser aliviado no seu pagamento e os agricultores serem motivados a terem viáveis suas "lavouras d'água", que cada vez mais se tornarão fundamentais para a sociedade.
O termo "lavoura d’água poderia pôr em prática a necessidade de reconhecer o papel das florestas para um ciclo hídrico local eficiente e uma remuneração àquele que promove com florestas esse ciclo. O "caminho das águas" não se inicia onde a lei manda plantar árvores, ou seja, na beira dos rios. Lá, o solo é raso. É na parte alta, nos topos, nos espigões ou divisores d’água onde os solos são profundos e podem armazenar, com a cobertura florestal, a água.

DANIEL STEIDLE é educador ambiental em Rolândia.


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