ESPAÇO ABERTO
PUBLICAÇÃO
sábado, 29 de novembro de 2014
Dom Orlando Brandes 
Inicia-se no Advento de 2014 o Ano da Paz proclamado pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil(CNBB). Advento e paz tem tudo a ver. O Messias prometido trará o direito, a justiça e a paz. O Menino que conduzirá o povo é o "Príncipe da paz". No dia do seu nascimento o céu proclamou a "paz na terra" (Lc 2,14). Jesus é a paz. Shalom é harmonia com Deus, com os outros, com as criaturas e conosco mesmos. Digamos sim à ternura que tem força revolucionária e ao bem que é eterno. A ternura e o bem são condições para a paz.
Sim, Jesus é a paz porque abateu o muro da inimizade entre judeus e pagãos. Proclamou filhos de Deus os que promovem a paz. Seu sangue derramado trouxe a paz aos corações e a paz à convivência humana. Ele nos reconciliou com Deus e ensinou-nos a perdoar. Seu reino é de paz. Portanto, o Advento e a paz andam de mãos dadas.
Dizia o beato Paulo 6º na ONU: "Jamais a guerra, jamais a guerra". São João 23 escreveu a "Pacem in Terris", a carta sobre a paz. São João Paulo 2º ajudou a abater o muro de Berlim e clamava: "Não à morte. Não ao egoísmo. Não à guerra. Sim à vida. Sim à paz". O papa Bento 16 fez-se peregrino em Assis, com líderes religiosos do mundo para clamar pela paz. O papa Francisco ensina que as condições para a paz são: a inclusão dos pobres, o diálogo, o perdão e a justiça.
A guerra, a violência, o terrorismo são loucuras, fracassos, retrocessos, massacres inúteis e a pior das ironias. É a repetição da história de Caim que mata seu irmão. Não se pode esperar a paz só com as armas e a polícia. É preciso desarmar o espírito de vingança e de ódio e policiar sim as injustiças que alimentam a violência.
Quatro são os sentimentos da paz: a serenidade interior, a simplicidade de coração, o respeito pelo outro e a compreensão misericordiosa, ensinava São João 23. Sem misericórdia a miséria da guerra implanta o império do mal.
Lembremos dos grandes forjadores da paz: dom Helder Câmara, dom Luciano Mendes, irmã Doroty, Gandhi, Martin Luter King, Mandela, Tereza de Calcutá, Desmond Tutu, Dalai Lama, Zilda Arns, Malala Yousafzai, Prêmio Nobel da Paz de 2014.
O papa Francisco aponta caminhos da paz: curar as feridas, aquecer os corações, construir pontes, estreitar laços, carregar fardos, elevar os outros. Seja o Advento de 2014 um tempo de "Paz e Bem", junto ao Menino Jesus.
Nosso Ano da Paz quer ser muito concreto, ou seja, conhecer bem a realidade e propor caminhos de paz até conseguirmos a cultura da paz. Nós, cristãos, temos meios, valores, pedagogias, estratégias favoráveis à paz. A mais eficaz é o exercício do perdão. O livro "Oração de amorização, a cura do coração", do padre Alírio Pedrini já está na 120ª edição. Este livro oferece exercícios de perdão.
Outro grande instrumento de paz é a dimensão social do Evangelho, a Doutrina Social da Igreja, que oferece os quatros pilares da paz: a justiça, a liberdade, a verdade e o amor. Viva o Ano da Paz.
Para que o Ano da Paz seja frutuoso e eficaz, você e eu podemos fazer um pequeno plano pessoal de vivência da paz. Podemos ser mais otimistas, mais alegres, mais compreensivos, mais generosos. Pronunciemos palavras de paz como por exemplo: obrigado, desculpe, parabéns, coragem, com licença, por favor. Palavras de paz se transformam em gestos de paz e estes em cultura da paz e da harmonia onde os diferentes não são excluídos, mas convivem fraternalmente. Deixemo-nos cativar pela harmonia do jardim, da orquestra, do cosmos. Superemos a lógica da força pela sabedoria de ternura e do direito.
DOM ORLANDO BRANDES é arcebispo de Londrina
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