A 'injustiça fiscal' do IPTU de Londrina


Uma breve simulação realizada no sistema informatizado que calcula o valor do Imposto Territorial e Predial Urbano (IPTU) pelo site da Prefeitura de Londrina demonstra a disparidade que vai avançar no orçamento das famílias londrinenses em 2015.
A revisão da planta de valores desprezou o diálogo com a comunidade, limitando-se a uma audiência pública com a presença de aproximadamente cem pessoas e centralizado, restrito ao ambiente da Câmara Municipal.
Embora esses participantes, oriundos de movimentos sociais, tenham questionado a forma e conteúdo do aumento da planta de valores, sua representação não contempla os quase 165 mil domicílios da cidade. Sendo assim, o contribuinte está dissociado do debate, que deve ser levado à população nos diversos bairros do centro e periferia.
Essa revisão considera apenas a suposta valorização do imóvel, independentemente do interesse efetivo do proprietário em sua comercialização. Também não leva em conta a justiça fiscal que relaciona a qualidade dos serviços públicos com a arrecadação e a capacidade financeira de cada contribuinte.
Ou seja, poucas pessoas se deram conta de que o aumento do IPTU de Londrina está acima do ganho real e da inflação dos últimos anos. A elevação da planta de valores para este cálculo vai impactar muito mais no bolso de quem mora no centro, nos bairros do entorno e na periferia.

ODARLONE SANTOS DE SOUZA ORENTE é médico de Família e Comunidade em Londrina





Fanatismo



Nos dicionários a palavra fanatismo tem o significado de paixão cega que leva alguém a excessos em favor de uma determinada ideia. Toda paixão cega está a serviço da ignorância e da loucura. Serve muito mais para fins destrutivos do que para qualquer outra coisa. O fanatismo é um perigo enorme para o mundo e para a vida.
Todos podemos ter nossas ideias religiosas, políticas e doutrinárias, porém quando essas mesmas ideias ganham uma hiper valorização elas tendem a cegar. Quando um determinado pensamento é sobrevalorizado faz com que nenhum outro pensamento que seja diferente possa ter lugar e com isso a ignorância toma conta. Quanto mais fanática for uma pessoa, seja pelo que for, mais ignorante ela é e mais ela teme o que é diferente, pois o diferente pode estremecer a sua ideia tão valorizada.
O fanatismo também tem a ver com a loucura já que quem é fanático nega a realidade e só se baseia e vê a ideia que valoriza. O fanático se identifica com tanta intensidade com a ideia valorizada que teme perdê-la porque isso significaria achar que é a sua identidade que está em jogo. A loucura está justamente nisso: confundir-se com uma ideia e negar qualquer outra realidade. Por isso o fanatismo leva à violência que é a atitude de quem se encontra em perigo. Entretanto, a pior consequência do fanatismo é engessar a pessoa numa posição onde não há mais aprendizagens e nem desenvolvimento.
O fanático acredita que já sabe tudo o que precisa saber. Isso configura a arrogância. O arrogante não se permite aprender e inveja quem aprende. O desejo mais profundo de um fanático é que todos fiquem presos a um mundo de escuridão e que nenhuma luz se faça ver. O grande perigo disso tudo é que é mais fácil ser um fanático do que um sábio. Para ser sábio demanda um trabalho contínuo, mas para ser um fanático basta se cegar e se entregar ao primitivismo. É mais fácil apagar uma vela do que acendê-la e nos escuro os piores monstros internos ficam mais fortes.

SYLVIO DO AMARAL SCHREINER é psicoterapeuta em Londrina




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