Eleição: discriminação e preconceito
Thiago Leibante


A Folha de Londrina trouxe em sua edição de ontem o importante Editorial "Consciência política contra a discriminação", relatando os casos de injúrias e preconceitos que vieram à tona com a vitória da presidente reeleita Dilma Rousseff. Na mesma página de Opinião, no artigo "Agora lutar em outras frentes" (Espaço Aberto), o jornalista Walmor Macarini diz, dentre outras coisas, que "os nordestinos não têm consciência do que seja PT ou PSDB", sugerindo que foram os responsáveis diretos pela manutenção do atual sistema, visto que, dependem das bolsas ofertadas pelo governo, sendo assim um "voto do estômago" ou daqueles que querem "ganhar sem trabalhar". Ao final, o jornalista nos brinda com a ideia de que são os "sulistas" que dão força ao turismo nordestino, e que isso significaria inclusive uma "transferência de renda".
Eu lhes pergunto: em tempos em que se fala tanto em respeito à diferença, opinião alheia, combate ao preconceito, o que um texto dessa natureza sugere? Que os nordestinos são todos ignorantes? Que não têm consciência do que fazem? Será que se poderia fazer uma afirmação dessa natureza somente porque não votaram no mesmo candidato do jornalista? Ele mostra um total desconhecimento quanto aos programas de transferência de renda do governo, passando adiante seus preconceitos sem ao menos investigar como são as coisas de fato. E, segundo a lógica defendida no referido artigo, podemos acabar com o Bolsa Família e irmos todos tirar férias no Nordeste, pois assim já garantiríamos a transferência de renda que o país precisa e ainda de lambuja podemos curtir as belíssimas praias do Nordeste. Não é maravilhoso isso? Unir transferência de renda e lazer?
Esse tipo de pensamento é bastante danoso se quisermos construir uma sociedade menos injusta e menos desigual. O primeiro passo? Respeitar o voto alheio. E antes que alguém pense: não, não sou petista.

THIAGO LEIBANTE é professor colaborador do departamento de Ciências Sociais da Universidade Estadual de Londrina.




Males do contrabando para a saúde
Cleber Pinto da Silva e Sandro Xavier de Campos


O contrabando é uma das modalidades criminosas mais nocivas que um país pode enfrentar. Essa prática afeta de forma silenciosa a vida de milhões de pessoas, pois tem influência negativa em diversas áreas como perda de empregos, abala a estrutura da indústria nacional, além de um fator muitas vezes esquecido pelos brasileiros: há um grande impacto na saúde da população.
O Brasil convive há alguns anos com o problema da venda ilegal de cigarros produzidos no Paraguai. Atualmente, cerca de 30% do mercado brasileiro de cigarros é dominado por marcas importadas ilegalmente do país vizinho, o que aumenta radicalmente os riscos do tabagismo. Um estudo que vem sendo realizado pela Universidade Estadual de Ponta Grossa desde 2012, e que teve como base cigarros apreendidos em operações da Receita Federal, apontou que todas as 18 marcas analisadas apresentaram concentração elevada de dez metais como cobre, manganês e zinco.
Para se ter uma ideia do problema, os níveis de cromo, cádmio, níquel e chumbo (metais que possuem alto potencial cancerígeno) encontrados nesses cigarros eram até 11 vezes superiores aos verificados em estudos similares realizados em países como Estados Unidos, Reino Unido e China. Esse resultado pode estar associado ao uso intensivo de fertilizantes que contenham essas substâncias, ou ainda ao processo de fabricação com matérias-primas inadequadas e em ambientes sem nenhuma higiene.
Essa pesquisa reforça a importância de que haja um rigoroso controle sanitário, uma atuação constante das autoridades regulatórias que é fundamental para garantir a saúde dos brasileiros.

CLEBER PINTO DA SILVA é pesquisador da Universidade Estadual de Ponta Grossa e SANDRO XAVIER DE CAMPOS é coordenador do Grupo de Pesquisa de Química Analítica Ambiental e Sanitária da UEPG.

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