ESPAÇO ABERTO
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 24 de outubro de 2014
Wilson Francisco Moreira 
Sempre ao final de um processo eleitoral analisamos os resultados políticos. Procuramos o nome de nossos candidatos na lista dos eleitos e buscamos ver seu desempenho nas urnas. Podemos comemorar ou nos frustrarmos com a baixa votação. Em geral, após as eleições grande parte das pessoas abandona o processo político, não acompanha o que fazem os eleitos e não cobra as promessas de campanha.
A cada resultado eleitoral vemos as mesmas táticas saírem vencedoras, as antigas práticas políticas continuam se estabelecendo. Os eleitos continuam dos mesmos grupos e famílias, e a forma prevalece sobre o conteúdo.
Os vários protesto que vimos acontecer no ano passado parece que não serviram para nada. As cobranças por melhores serviços públicos e o descontentamento com a classe política não foram além das ruas naqueles dias. Enfim, ao chegar a campanha eleitoral de fato o marketing resolveu os problemas.
Nos sentimos impotentes diante da reprodução da política e dos políticos de sempre, pois o marketing eleitoreiro convence muitos para a manutenção de um sistema político injusto e que deixa mínimas chances a lideranças novas e a ideias igualmente novas.
Para o marketing não há corrupção, má administração, interesses individuais ou de pequenos grupos políticos e econômicos. Para o marketing, há um mundo maravilhoso onde as pessoas são felizes e plenas de cidadania, e tudo será ainda muito melhor no novo governo. É como se os poderes não tivessem suas próprias atribuições.
Candidatos confundem os eleitores quanto a Executivo e Legislativo prestando um grande desserviço à democracia e cidadania. Um "vou fazer" se torna atrativo, mesmo quando não há possibilidade por recursos ou por competência.
Essa é a política "velha" de que se fala. A política que se junta ao marketing para ganhar eleições e depois comemorar com champanhe francês em suas casas de luxo, reproduzindo o sistema político.
Todavia, é também a mesma política que alimenta o maniqueísmo, considerando a política uma luta do bem contra o mal. "Ou estão conosco ou contra nós", é o que tentam vender aos eleitores. Quem procura destoar dessa velha política é tido como ingênuo e sonhador inútil e destruído sem nenhum pudor pela estrutura vigente. O fato é que só podemos superar a velha política superando as divisões raivosas. Apontando erros, mas também reconhecendo acertos. Racionalizar a política é o caminho.
As escolhas que fazemos fazem muita diferença e, infelizmente, nossas escolhas são manipuladas de todas as formas. A única maneira de ficarmos imunes às manipulações é não nos omitirmos da política. É participando ativamente das associações, sindicatos, entidades de classe e até de partidos políticos. Cobrar e acompanhar o trabalho dos políticos em todas as instâncias e não apenas nas campanhas eleitorais. Foram bons os protestos do ano passado, mas infelizmente a política foi negada. Mesmo assim mostraram que há esperança e desejo de mudança nas relações entre políticos e sociedade.
O exercício da cidadania só pode ser pleno com a participação política, com a luta pela garantia dos direitos fundamentais e das necessidades básicas. A qualidade dos serviços públicos, como saúde e educação, dependem diretamente da qualidade dos políticos, por isso não podemos nos omitir. Embora o desânimo e o desgosto com a política seja compreensível e sua transformação para melhor uma tarefa difícil, não podemos desistir da política, pois a sociedade melhor que queremos e merecemos só poderá ser construída pela política e por meio da participação política.
WILSON FRANCISCO MOREIRA é agente penitenciário e professor de Sociologia em Londrina
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