ESPAÇO ABERTO
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 22 de outubro de 2014
Renato Rugene de Carvalho 
Há alguns dias a jornalista Mirian Leitão mediou um debate bastante interessante sobre os rumos da política econômica no país. Participaram o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e Armínio Fraga, o provável ministro da Fazenda num governo Aécio Neves (PSDB).
Foi uma discussão de alto nível, ao contrário do que estamos acostumados a ver nos debates da TV. Os economistas trouxeram dois diagnósticos distintos sobre a atual conjuntura econômica e o caminho que o País deve traçar nos próximos anos.
Mantega deu ênfase às políticas anticíclicas de combate à crise internacional e destacou o alto nível de emprego no país apesar de uma conjuntura bastante desfavorável. Já Armínio Fraga argumentou que o problema do Brasil não é o cenário externo, mas interno e chamou atenção para a falta de um programa de reformas estruturais.
Embora com diferentes visões, é possível constatar que há uma complementaridade de política econômica entre os governos do PT e do PSDB. Se olharmos as transformações ocorridas no país nos últimos 20 anos, percebemos o quanto essas políticas foram parceiras.
Nos anos noventa, Fernando Henrique Cardoso construiu o Plano Real e acabou com um problema inflacionário que assolava o país desde a primeira crise do petróleo, na década de 70. A sustentação da estabilidade monetária demandou profundas reformas na estrutura do Estado, ineficiente e deficitário. Um conjunto de medidas proporcionou a diminuição do peso do Estado na economia brasileira.
A abertura comercial, que havia se iniciado no governo Collor, foi mantida e aprofundada. A privatização permitiu ao Brasil se livrar de empresas ineficientes, possibilitando o aumento dos investimentos, modernização empresarial e a consolidação de lucros em setores completamente falidos. A telefonia celular é apenas um exemplo.
Apesar disso, o país ainda vivia com altas taxas de desemprego, dívida pública elevada e com um ranço secular de desigualdade social. Ao assumir, Lula manteve a política econômica e se aproveitou do crescimento mundial para estimular as exportações em níveis jamais visto. Além disso, solidificou no Brasil um programa de redistribuição de renda extremamente eficaz.
Atualmente, o cenário macroeconômico é preocupante. O país tem baixo investimento, inflação alta e se mostra incapaz de crescer.
Para Mantega, a reforma tributária já esta sendo feita. Houve reduções de impostos para vários setores da indústria, para as empresas exportadoras e também desonerações em folha de pagamento visando o estimulo às contratações.
Para Armínio Fraga, tais medidas são insuficientes porque falta confiança dos empresários nos rumos do país, provocados, entre outras coisas, pelas políticas equivocadas dos últimos anos.
Guido Mantega afirma que com Armínio Fraga os juros seriam maiores assim como o desemprego. Armínio Fraga defende que a inflação não estaria nos atuais níveis e os empresários estariam investindo. Por outro lado, ambos concordam que é preciso retomar os investimentos e fazer o país crescer.
Se para a população brasileira o desemprego não é um problema imediato e os salários têm crescido ao longo dos anos, outros elementos serão determinantes na hora do voto.
RENATO RUGENE DE CARVALHO é economista na Prefeitura de Londrina e professor universitário


