Num país onde grande parte da força ativa de trabalho no campo tem baixa escolaridade, o papel dos engenheiros agrônomos vai muito além do exercício da atividade profissional. Eles atuam como balizadores da aplicação de tecnologias cada vez mais sofisticadas e inovativas, mas nem sempre adequadas e eficientes. Vivemos um tempo em que a palavra "sustentabilidade" soa como uma verdadeira diretriz.
Nas cidades, viver de forma sustentável significa poupar os recursos naturais, poluir menos e, não menos importante, consumir alimentos saudáveis e produzidos de forma amigável ao meio ambiente. No campo, ser sustentável significa aos nossos agricultores assumir o dever de garantir a produção de alimentos com menos fertilizantes inorgânicos e agrotóxicos, preservando os recursos naturais usados na produção.

Se nas cidades a decisão de ser sustentável passa fundamentalmente pela escolha do cidadão, no campo, a sustentabilidade impõe aos nossos agricultores o desafio de praticar sistemas de produção que lhes permitam produtividade com lucratividade e preservação do solo e da água. Isso definitivamente não é uma tarefa fácil. É tarefa para um engenheiro agrônomo.

Exatamente nesse ponto é que entra a importância do exercício ético da profissão. Aliar o conceito de sustentabilidade à produção agropecuária de modo algum significa a necessidade de se romper com tecnologias "do passado". Ganhar em produtividade, por exemplo, numa primeira análise pode indicar a necessidade de uso de máquinas maiores, que otimizem o combustível e a mão de obra empregada. Contudo, o uso de máquinas maiores, além de significar maior investimento, exige nova sistematização do terreno e muitas vezes a retirada de terraços que durante muito tempo, eficientemente, combateram a erosão do solo.

Nesse caso, na pressão da eficiência produtiva, a escolha da nova tecnologia pode não ser a mais correta. Também no caso de fertilizantes e pesticidas, diariamente entram no mercado novos produtos que aliam biotecnologia, produtos de origem microbiana ou mesmo naturais com novas tecnologias de aplicação que prometem alto rendimento e baixo custo. É evidente que existem bons produtos, resultado de inovações produzidas por empresas comprometidas com o que fazem. Por outro lado, infelizmente existem também muitas novas tecnologias que não se justificam tecnicamente. Isso significa que não respeitam os princípios básicos da química, física e biologia, não sendo, portanto, exequíveis do ponto de vista das ciências naturais. Na linguagem coloquial significa que prometem o que não podem cumprir e podem levar prejuízo ao agricultor. Por isso, os mais de 17 mil engenheiros agrônomos do Paraná têm que, a cada dia, renovarem o seu compromisso com a ética no exercício da profissão. De sua dedicação aos estudos e compromisso com a ciência e tecnologia origina seu poder de discernir entre o bom e o ruim em cada caso, e desse poder a obrigação moral de orientar nossos agricultores naquilo que é de melhor, para que possam alcançar tão almejada sustentabilidade que todos queremos.

É nesse ambiente profícuo de competências e responsabilidades que o Núcleo Estadual Paraná da Sociedade Brasileira de Ciência do Solo (Nepar) trabalha, congregando forças e esforços no sentido do uso e manejo o mais qualificado possível do nosso solo agrícola.

Esse é um processo de busca e aprendizado contínuo, que deve ser perseguido por toda a sociedade, e os engenheiros agrônomos são peça-chave. A sustentabilidade pode ser a resultante da busca e aplicação de conhecimentos e novas tecnologias, mas deve ser alcançada de forma responsável. O Nepar valoriza a atuação dos profissionais de Agronomia do nosso Estado e parabeniza os profissionais pela passagem Dia do Engenheiro Agrônomo, celebrado no último domingo.

ARNALDO COLOZZI FILHO é engenheiro agrônomo, doutor em solos/microbiologia do solo, diretor do Núcleo Estadual do Paraná da Sociedade Brasileira de Ciência do Solo e pesquisador do Iapar em Londrina

■ Os ar­ti­gos de­vem con­ter da­dos do au­tor e ter no má­xi­mo 3.800 ca­rac­te­res e no mí­ni­mo 1.500 ca­rac­te­res. Os ar­ti­gos pu­bli­ca­dos não re­fle­tem ne­ces­sa­ria­men­te a opi­nião do jor­nal. E-­mail: opi­niao@fo­lha­de­lon­dri­na.com.br

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