1. Minha grandeza consiste em fazer a vontade de Deus. A chave e o fundamento da vida espiritual é fazer a vontade de Deus, aceitando renúncias, sacrifícios, humilhações, perdas e as coisas mais repugnantes.
Meu lema, minha empresa, meu plano espiritual é: "Obediência e paz".
É a conformidade com a Divina Providência. Isso me traz paz. A vontade de Deus é nossa paz.
2. Não sou nada, não tenho nada, não valho nada, por isso quero caminhar na simplicidade e na pureza.
Ser livre de honras, carreiras, sucesso, prestígio.
A simplicidade me dá paz, porque a paz e a simplicidade andam juntas. A simplicidade me faz confiar na misericórdia de Deus.
Sinto com isso a paz interior que é o máximo dos bens. A paz e o bem indicam o sucesso de uma vida feliz.
3. Minha obrigação, meu desejo, minha tarefa principal é ser santo.
Essa é a minha ocupação diária, serena e tranquila.
Lembro-me disso desde o abrir os olhos ao acordar, até fechá-los no sono da noite. Por isso, tenho serenidade e paz, constância e intransigência, desconfiança de mim mesmo e comunicação afetiva ininterrupta com Deus.
Quero ser livre de meu egoísmo, centralização, apego e paixões.
Sinto-me livre em aceitar a saúde ou a doença, a vida ou a morte, a honra ou a humilhação. Quero espoliar-me de tudo. Oh, feliz simplicidade.
4. Recebi a graça de não desejar honras, cargos, prestígio.
Isso me dá paz, ajuda-me a cumprir meu dever, abrir-me à humilhação e a sofrer para a glória de Deus.
Sou pecador e pó. Vivo da misericórdia do Pai. Abandono-me à obediência.
Assumo minha missão com temor e tremor porque sou frágil e lábil.
Esforço-me para que haja um só palpitar do meu coração com o coração de Jesus.
5. Coloco minha vida sobre cinco pilares: ver Deus em todas as coisas; viver nos braços da providencia e bondade de Deus; viver a caridade com inexaurível paciência; aceitar com alegria os sacrifícios; viver para a glória de Deus e participar da glória da vida eterna.
Meu livro preferido é a "Imitação de Cristo". É uma pérola, um livro de ouro que nos faz santos.
6. Cultivo uma amizade familiar com Jesus.
Essa amizade liga meu coração ao dele. "Não sois meus empregados, sois meus amigos" (Jo 15,15).
A amizade com Jesus não faz barulho exterior, é uma difusão de amizade e paz que transpira por toda a nossa pessoa.
Essa amizade domina as paixões, nos dá uma gentileza extraordinária, uma fineza no agir.
Uma só palavra de Jesus me enche de alegria inefável, transforma as lágrimas em consolação.
7. Os Dez Mandamentos e as oito bem-aventuranças são nossos dois braços para abraçar Deus, os irmãos e o mundo.
Sou velho, mas, tenho esperança do rejuvenescimento da Igreja.
Fiz o propósito de ser bom até ao heroísmo, pois, quero ser irmão de todos. Mesmo sendo papa eu sou sempre o mesmo. Só mudei de nome e de vestes. Quero ser santo porque antes de tudo sou filho de Deus.

DOM ORLANDO BRANDES é arcebispo de Londrina

■ Os ar­ti­gos de­vem con­ter da­dos do au­tor e ter no má­xi­mo 3.800 ca­rac­te­res e no mí­ni­mo 1.500 ca­rac­te­res. Os ar­ti­gos pu­bli­ca­dos não re­fle­tem ne­ces­sa­ria­men­te a opi­nião do jor­nal. E-­mail: opi­niao@fo­lha­de­lon­dri­na.com.br

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