Tem-se escrito e falado à exaustão que não temos candidatos suficientemente honestos e preparados para ocupar os mandatos executivos e legislativos disponíveis para esta eleição, e que se balançarmos bem a peneira não sobra quase ninguém. O que mais impressiona é que isso é verdade, e muitos, no desespero, e sem opção, acabam votando no menos ruim, como se fosse admissível aceitar o voto num candidato ruim sob a justificativa de que ele não é tão ruim como os outros.
Há milênios o filósofo grego Aristóteles dizia que a política estava essencial e umbilicalmente unida à ética e à moral, porque o fim último do estado é a virtude, e a função primordial dele (estado), no campo social e político seria a formação moral dos cidadãos. O estado, num todo, seria em consequência do seu povo um organismo extremamente ético e moral.
O grande problema do Brasil é que a indicação dos próceres políticos e candidatos ao preenchimento dos cargos executivos e legislativos não tem como requisito subjacente, pelos partidos, num garimpo interno, a ética e a moral. O "ficha suja" só existe depois de condenado por uma pluralidade de juízes, sendo que, até então, e sob o manto da lei e aos olhos de todos é, em tese, moralmente respeitável, até se eleger. Depois, bem, deixa para lá.
O processo eleitoral brasileiro é bom, em especial quando comparado ao de outros países. O que o macula são os partidos e a precariedade dos candidatos, seja por incompetência, princípios ou honestidade. A experiência política brasileira nos abastece de fatos lamentáveis. Deixemos de lado a questão da ideologia político-partidária, porque embora os partidos digam que ela existe, em verdade, trata-se de uma "personal ideology", que de puro tem apenas os interesses pessoais dos caciques, os quais mudam de rumo de acordo com os interesses (seus) e as necessidades (suas), diante de cada situação concreta.
No repertório político nacional todos nós conhecemos a figura dos puxadores de votos, ou seja, cidadãos famosos que se revelam a salvação das siglas. Aí estão do Big Brother Brasil Kleber Bambam; Fael Cordeiro e Diego Alemão. Sula Miranda (a rainha dos caminhoneiros) e Nani Venâncio (ex-modelo de revistas masculinas) também estão em campanha. Outro puxador de votos é o Dr. Robert Rey (Dr. Hollywood). Tem ainda a Suellem Rocha, a Mulher Pêra; o pagodeiro Rodriguinho e a socialite Narcisa Tamborindeguy. De novo, o palhaço Tiririca é candidato a deputado federal (foi o mais votado do País, em 2010, com 1,35 milhão de votos). Eleitos, poderão levar dezenas de outros matreiros que se elegerão à sombra, e na sombra irão legislar.
A nossa falha começa na escolha dos candidatos. Na Inglaterra, por exemplo, onde o voto é distrital a escolha dos membros do Parlamento do Reino Unido é precedida de uma consulta que os partidos e os habitantes realizam. Eles vão se reunindo e depurando os nomes dos possíveis indicados, numa seleção impressionante. Depois de se chegar a um rosário de nomes reúnem-se para escolher os melhores dos melhores. Lá não existe a figura abominável dos puxadores de votos, porque o eleito é por maioria simples (distrital), sem carga de votos para a legenda. Eleitos os melhores dos melhores pelas suas qualidades, e não pela astúcia, são empossados e assinam um termo. Quando terminam o mandato recebem um diploma, que é colocado na residência ou no escritório no lugar mais vistoso e privilegiado, haja vista que ele é o atestado máximo de prestígio e idoneidade daquele cidadão. Se ele não fez um mandato valioso para a sociedade, ou sofreu alguma punição, não recebe o diploma. No Brasil, por sua vez, o eleito recebe diploma antes de exercer o mandato.
Por tudo isso, vamos eleger candidatos da nossa cidade. Vamos fortalecê-la. Não vamos distribuir votos para candidatos de outras regiões: vote nos melhores e não nos menos ruins.

ALMIR RODRIGUES SUDAN é advogado em Londrina

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