ESPAÇO ABERTO
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 01 de outubro de 2014
Carlos José Estevam Lioti 
Mais uma vez os brasileiros são convocados para ir às urnas escolher seus mandatários e representantes no Executivo e Legislativo federal e estadual. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral, para as eleições de outubro são 26.126 candidatos para 1.709 vagas. A partir dessas escolhas, pode-se afirmar que os eleitores irão definir o futuro político do país para os próximos 4 anos. É difícil mensurar o que vem pela frente, mas é possível olhar para o passado e aprender com ele. E o que temos visto não tem sido nada bom. Quase que diariamente a mídia tem veiculado notícias sobre casos de corrupção entre políticos em praticamente todos os poderes e esferas de governo.
Segundo estimativas da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), o custo médio da corrupção no Brasil, equivalia a R$ 111,3 bilhões em 2013. E muitos dos corruptos que foram responsáveis pela evasão dessa cifra astronômica foram eleitos, e até mesmo reeleitos, pelo mesmo cidadão que clama por justiça e que sente a falta desses recursos em saúde, educação, segurança, habitação, transporte. Corruptos que fizeram para o eleitor o discurso da moralidade, da ética e da verdade, mas que na verdade eram lobos em pele de cordeiro. Tal como os fariseus que Jesus Cristo chamou de hipócritas, estes também se "assemelham aos sepulcros caiados, que por fora parecem formosos, mas interiormente estão cheios de ossos de mortos e de toda a imundícia", e assim também "por fora parecem justos aos homens, mas interiormente estão cheios de hipocrisia e de iniquidade" (Mt 23, 27-28).
Obviamente que não se pode prejulgar pessoas, ou generalizar de que todos os políticos são corruptos, pois creio, e quero acreditar, que estes ainda são a minoria. No entanto, é essa minoria que tem sangrado os cofres públicos em proporções tão avassaladoras, sem limites e pudor. Escândalo após escândalo, os bilhões de reais desviados dos cofres públicos, na maioria absoluta das vezes nunca voltam ao seu destino e se perdem para sempre nos emaranhados de comissões e processos que, ao final de anos, muitas vezes acabam sendo arquivados por decurso de prazo.
Mais do que dinheiro, os corruptos estão roubando a esperança de um futuro melhor para esse país e para as gerações futuras que um dia, caso acordem desse pesadelo, irão cobrar a nossa geração por não termos reagido a essa destruição da moral, da ética, da verdade e da justiça social. Por não termos dado um basta, de forma democrática e civilizada, para tantos desmandos.
O futuro deste país, a priori, depende mais das escolhas que fizermos agora, e a cada eleição, do que do caráter dos políticos que assumirão o poder. "Aquilo que o homem semear, isso mesmo colherá" (Gl 6, 7). Não podemos esperar que semeando os mentirosos e corruptos, iremos colher a verdade e a honestidade, pois não dá para colher a vida, onde foi semeada a morte. Não dá para colher a prosperidade coletiva onde foi semeada a ganância e a sede de poder absoluto de poucos. Se as pessoas não têm "estrela na testa", é incompreensível que elejamos, e até reelejamos, os que comprovadamente já se mostraram corruptos, hipócritas e desonestos, como às vezes tem ocorrido.
O nosso Deus é o Deus do amor, da justiça, da verdade e da bondade. Os "deuses" dos corruptos são o poder e a riqueza, em nome dos quais infligem o sofrimento a milhões de brasileiros excluídos pela pobreza, exterminados pela violência, destruídos pelos acidentes, mortos pelas doenças, desprezados pela ignorância da educação. "Os céus e a terra tomo hoje por testemunhas contra vós, de que te tenho proposto a vida e a morte, a bênção e a maldição; escolhe pois a vida, para que vivas, tu e a tua descendência" (Dt 30:19). A escolha é nossa, e dela dependerá o futuro dessa nação e de nossos filhos.
CARLOS JOSÉ ESTEVAM LIOTI é administrador em Londrina
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