ESPAÇO ABERTO
PUBLICAÇÃO
domingo, 28 de setembro de 2014
Janaína Quintino e Carina Machado 
Se alguém lhe pedisse para numerar, dentre os sete sentidos, quais você considera mais importantes, certamente, a audição ocuparia um dos lugares de destaque. Provavelmente, isso se deve ao fato de que é pela audição que desenvolvemos a linguagem, a comunicação e interagimos no ambiente que vivemos.
Ainda na gestação, no útero da mãe, já estamos expostos aos primeiros sons, que são os sons das vozes dos nossos pais, do corpo da mãe e dos familiares. E é a partir desse primeiro contato auditivo com o mundo externo que se inicia o desenvolvimento da linguagem. Por isso, é imprescindível que durante a gestação e após o nascimento o bebê seja estimulado, com sons e conversas.
Pensando em saúde auditiva neonatal, em 2 de agosto de 2010, foi criada a Lei nº 12.303, denominada Teste da Orelhinha, a qual garante o acesso à detecção precoce da deficiência auditiva. O Teste da Orelhinha é gratuito e obrigatório em todos os hospitais e maternidades atendidos pelo SUS, devendo ser realizado pelo fonoaudiólogo nos primeiros dias de vida do bebê. O exame é simples e possui inúmeras vantagens: é rápido, com duração de 3 a 6 minutos; é indolor; não possui contraindicações e pode ser realizado com o bebê dormindo. O resultado é instantâneo, sendo informado logo ao fim do exame.
A maioria dos diagnósticos de perda auditiva é obtida tardiamente, quando já houve prejuízos na aquisição da linguagem e desenvolvimento global da criança, interferindo inclusive no emocional, cognitivo e na qualidade vida, enquanto que bebês diagnosticados precocemente têm a oportunidade de desenvolver-se melhor que aqueles com diagnóstico tardio.
Pelo Teste da Orelhinha é possível descobrir se a audição do bebê está dentro da normalidade ou se há alguma alteração. No caso do exame indicar algum problema auditivo, é feito o reteste, que é um novo exame com a finalidade de confirmar ou descartar o diagnóstico anterior, já que fatores como: presença de líquido ou cerúmen e agitação da criança podem interferir na resposta. Após o teste, se houver detecção de uma possível perda auditiva, a equipe de profissionais, composta minimamente por otorrinolaringologista e fonoaudiólogo, deverá avaliar e indicar o melhor tratamento a seguir. No caso do resultado não apresentar alterações, a criança será considerada com audição normal naquele momento. No entanto, é importante a atenção da família para o desenvolvimento do bebê em alguns aspectos. A literatura sugere os seguintes comportamentos que podem ser observados pelos pais e familiares: 0 a 3 meses o bebê reage para sons altos, se assusta com sons fortes e inesperados; 3 a 6 meses o bebê procura os sons a sua volta e percebe a diferença de tom nos sons dos pais; 6 a 9 meses responde com o olhar quando é chamado e demonstra entendimento de palavras simples, "mamãe", "papai", "tchau"; 12 a 18 meses entende comandos simples e reconhece partes do corpo; 18 a 24 meses realiza ordens simples e responde a perguntas.
Mantenha-se atenta ao desenvolvimento do bebê, o diagnóstico e tratamento precoce da deficiência auditiva são determinantes para a aquisição da linguagem oral e desenvolvimento saudável.
JANAÍNA QUINTINO e CARINA MACHADO são estudantes de Fonoaudiologia da Univali em Itajaí (SC)
■ Os artigos devem conter dados do autor e ter no máximo 3.800 caracteres e no mínimo 1.500 caracteres. Os artigos publicados não refletem necessariamente a opinião do jornal. E-mail: opiniao@folhadelondrina.com.br


