ESPAÇO ABERTO
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 25 de setembro de 2014
Lúcia Glicério Mendonça 
Há quem pense que um museu é a coleta de objetos, sua conservação e eventual ou permanente exposição. Entretanto, os museus são diversos como são diversos os seres humanos e seus modos de viver. Os museus podem ser públicos ou privados, mantidos por indivíduos, empresas ou associações. Contudo, há aqueles que estão sob a tutela de uma universidade ou instituição de ensino superior. Ou seja, a universidade tem a salvaguarda do acervo, dos recursos humanos e do espaço físico.
Na década de 1980, estudiosos como Craig C. Black consideraram que a definição para museu universitário poderia ser dada pelo seu papel no interior da sua instituição de origem. Ou seja, é um serviço suplementar nas universidades, oferecendo muito mais que um conjunto de funções variadas típicas. Por exemplo, o Museu Histórico de Londrina, em 18 de setembro de 1974, tornou-se órgão suplementar da Universidade Estadual de Londrina.
Coleções e museus universitários são muito diversos. Como eles abraçam todas as áreas de saber oferecidas na universidade, normalmente, esses museus e as suas coleções são classificados por disciplinas como, por exemplo, coleção de peças de anatomia, museu de belas artes, museu histórico, etc. Porque os museus universitários cobrem campos tradicionais como Ciências, História e Artes, ou assuntos ainda mais especializados, as coleções e museus universitários possuem objetos no seu acervo que são resultados concretos das atividades de ensino e pesquisa de suas instituições-mães.
Em um museu, como o Histórico de Londrina, o acervo surge da coleta e seleção realizada por professores e alunos do curso de História da antiga Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Londrina, pelos idos de 1969, com a finalidade e propósito de constituir-se em atividade de ensino e formação dos estudantes. Na época, os professores se preocupavam em realizar ações voltadas para a guarda de patrimônio e memória locais e os estudantes foram avaliados pelo que faziam em favor do museu. Portanto, os objetos que lhe deram início se constituem como um registro concreto das atividades acadêmicas ali realizadas.
Universidades têm, ao longo dos séculos, tradição em coletar, classificar, estudar, conservar coleções e mantê-las em museus. Têm organizado coleções voltadas para atender as necessidades de ensino e pesquisa, desde a metade do século 16. Desde aqueles tempos, os objetos foram coletados e organizados para atuarem um papel central na construção e divulgação do conhecimento em diferentes disciplinas, bem como no ensino universitário, pois as aulas eram realizadas com os objetos e a partir dos mesmos. E isso ocorreu na origem do Museu Histórico de Londrina, ou seja, seu propósito inicial era atender às necessidades das atividades de ensino e pesquisa, tendo em vista que os alunos tiveram que pesquisar toda a história de quem possuía aqueles objetos e a história de Londrina. Sendo que o papel de preservar o patrimônio local e, expô-lo aos mais variados públicos, seria o atendimento a comunidade. Assim, cumpriu e cumpre, até hoje, o papel da extensão universitária.
Embora os museus universitários sejam tão diferentes entre si, e seja até compreensível certa flexibilidade ou dificuldade em defini-los, fazer isso não é tão difícil assim. Basta atentar para alguns aspectos, principalmente, no que diz respeito aos motivos que levaram a criação de cada um deles e a continuidade de sua existência. E em uma universidade, o propósito dos museus universitários guia a função e a missão deles e, em uma universidade, as coleções e museus têm, prioritariamente, propósito de servirem de subsídio para a pesquisa (produção de conhecimento), ensino (formação dos alunos) e extensão (atendimento à comunidade).
LÚCIA GLICÉRIO MENDONÇA é licenciada em História pela UEL, pesquisadora sobre museus universitários e membro do UMAC/ICOM/Unesco
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