Vou me ater à saúde, mas acredito que só muda a profissão, pois os problemas são muito parecidos. Estamos em tempo de campanha política e, como sempre acontece nesses períodos, todos os candidatos prometem segurança, educação e saúde, e isso significa que quem vai pagar o pato são os policiais, os professores e o pessoal de saúde. Ou seja, médicos, enfermeiras, fisioterapeutas, dentistas... Enfim, todos os profissionais ligados a um setor, cujo sistema está subfinanciado, e a culpa do não funcionamento é imputada aos profissionais.
Desde longa data, o valor que o governo federal repassa à saúde é muito abaixo do que é necessário: os medicamentos, os insumos necessários à boa prática da saúde "curativa" são escassos ou inexistentes, as condições de trabalho, os leitos sucateados, as ambulâncias encostadas, etc. E os honorários? Se considerarmos que R$ 7 é um valor justo para que o médico especialista faça uma consulta no Pronto-Socorro, então este profissional está recebendo seus honorários.
Necessitamos que se assuma a responsabilidade que o SUS necessita e merece, e que o governo injete na saúde o valor necessário para corrigir os desvios que foram acontecendo; que a população receba o atendimento que necessita; que os hospitais sejam ressarcidos em suas despesas com o paciente; e que o médico seja remunerado de maneira justa, com valores de consultas que atinjam, pelo menos, os que são repassados pelos planos de saúde sérios.
Necessitamos, sobretudo, que a medicina preventiva seja praticada de maneira a realmente prevenir, pois assim diminuiríamos os gastos com a saúde e melhoraríamos muito a saúde da população. A medicina do dia a dia sofre pela sua incapacidade de medicar pela falta de medicamentos, de diagnosticar pela falta de laboratórios e serviços de imagem, de atender pela falta de condições de trabalho, de resolver pela falta de centros cirúrgicos, UTIs. E a população padece em decorrência dessas faltas.
O cansaço induz o ser humano ao estresse e este determina erros de comportamento, respostas rudes, discussões sem fundamento. Basta observarmos o comportamento das pessoas em engarrafamentos, quantas brigas inúteis. Infelizmente, o médico é um ser humano vivo e, como tal, necessita tomar água, alimentar-se, descansar. Não tem como ficar 24 horas à disposição, não tem como fazer um plantão depois de outro, de outro e de outro. Não é possível continuar com a prática da quantidade, necessitamos, urgentemente, da valorização pela qualidade do atendimento prestado, pois isto significa que o paciente sairá satisfeito, que seu problema será resolvido com maior presteza e, principalmente, os gastos governamentais oriundos dessa doença serão muito menores, fazendo com que o dinheiro que seria perdido seja utilizado na promoção da saúde, que é o que todos desejamos, o que todos necessitamos.
A população deve pensar muito antes de escolher seus candidatos e, depois de eleitos deve cobrar as ações necessárias para que tenha melhor qualidade de vida; não basta mais apenas esperar o próximo pleito. Cada um de nós é responsável pelo que acontece em nosso País, em nosso Estado e em nossa Cidade. Não venda a sua saúde, sua segurança e a educação que necessita, vote consciente, pois aquele que compra seu voto já vendeu as ações que fará no futuro. Você não necessita esmolas, necessita da oportunidade digna de evoluir dentro de um trabalho limpo, útil, benéfico a todos.
Saúde, educação e segurança com qualidade no dia a dia é o que nós necessitamos. Não o que se fala nos palanques para o esquecimento eterno.

ANTONIO CAETANO DE PAULA é médico e presidente da Associação Médica de Londrina

■ Os ar­ti­gos de­vem con­ter da­dos do au­tor e ter no má­xi­mo 3.800 ca­rac­te­res e no mí­ni­mo 1.500 ca­rac­te­res. Os ar­ti­gos pu­bli­ca­dos não re­fle­tem ne­ces­sa­ria­men­te a opi­nião do jor­nal. E-­mail: opi­niao@fo­lha­de­lon­dri­na.com.br

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