Semana passada vivi (e desejo compartilhar) uma experiência que diz muito sobre o título desse artigo.
Após avisar um cidadão – em um local bastante movimentado - que estava com seu carro sobre a vaga destinada aos deficientes físicos e ter ouvido como resposta que ele não estava estacionado mas, apenas, esperando uma pessoa, solicitei que a vaga fosse desocupada, obviamente, sem sucesso. A cena era acompanhada por, pelo menos, dez pessoas que entre inertes e perplexas, davam ares de impaciência e espanto com o questionamento sobre o estacionamento irregular (afinal a vaga estava vazia) e não esboçaram uma única reação de apoio.
Ato contínuo liguei para a CMTU, na esperança de ser apoiado pelo órgão oficial, sendo atendido sucessivamente por duas funcionárias, ambas muito educadas, informando o ocorrido e solicitando providências, até porque havia identificação do veículo e muitas testemunhas disponíveis. Com cortesia, fui informado que o contingente do órgão é insuficiente para a fiscalização ampla, mas que seria deslocado algum funcionário para o local. Infelizmente, em um tempo aproximado de 15 minutos, não observei qualquer fiscalização.
A situação com o motorista que insistia em manter seu veículo no local indevido chegou perto das vias de fato (o que não me surpreendeu, pois, não foi a minha primeira experiência). Enquanto verbalizava minha indignação, consegui "convencer" o cidadão a deixar a vaga, mesmo diante do silêncio sepulcral dos demais "cidadãos" que presenciavam a cena.
Escrevo e desejo compartilhar com aqueles que leem sobre a experiência, primeiro, para buscar maior solidariedade nas situações futuras que virão e serão enfrentadas com os riscos inerentes que eu bem conheço; segundo, para que os muitos que não percebem que políticos não mudarão o que só pode ser alterado pela educação familiar e cidadã, procurem participar de iniciativas individuais e coletivas visando um bem maior, que não será realizado por qualquer político, mas sim pelo exercício e fiscalização dos direitos de todos.
Atos de resistência cidadã dizem muito a respeito de uma sociedade que deseja mudanças, seja no simples ato de não se conformar com uma irregularidade às claras, mesmo sendo um fato que diz respeito ao direito de um terceiro, seja na adesão aos movimentos que brotam da sociedade na busca de uma mudança institucional. Não custa recordar que o movimento pelos direitos dos negros nos Estados Unidos eclodiu, e ganhou força, com a corajosa e histórica negativa da costureira Rosa Parks em ceder seu lugar a um branco no ônibus, motivando a comunidade negra a sair de sua inércia.
Continuar esperando que algum "político" bem-intencionado, quase uma espécie de super-herói dos desenhos animados, lidere ou inicie uma mudança que mude o rumo tortuoso que o Brasil decidiu seguir é reconhecer-se como um covarde. E, sendo assim, é melhor se calar e ignorar a violação do direito próprio e alheio, seguindo junto com a corja que alardeia uma mudança que só pode ocorrer a partir da coragem de posicionar-se ante ao que deve ser protegido por todos.

WALTER BARBOSA BITTAR é advogado em Londrina

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