Uma dúvida que, em algum momento de nossas vidas, recai sobre nós é de como será nossa velhice. Estarei sozinho? Terei saúde? Minha família me apoiará? O que farei?
O idoso de hoje é muito diferente de décadas atrás – seja pela expectativa de vida mais elevada, seja por condições melhores de saúde. Notícias frequentes mostram como os idosos estão se inserindo na internet e nas redes sociais, frequentando faculdades e conquistando um ou mais de um diploma superior, aventurando-se em viagens e grupos da terceira idade. Além de cada vez mais antenados com as novas tecnologias e redes sociais, as pessoas acima de 60 anos procuram independência e liberdade de diversas outras formas, como na realização de inúmeras viagens planejadas apenas com o auxílio da internet. Uma pesquisa local realizada pela "Expedia.com.br" mostra que 41% das pessoas acima dos 55 anos buscam informações para decidir o destino de viagem em sites e blogs especializados em turismo. A mesma pesquisa mostra que 52% desse público compra passagens e 42% reserva hotel pela internet. Mas para os familiares, muitas vezes, o envelhecimento de seus pais pode ser visto como fonte de preocupação.
Questões relacionadas à velhice costumam gerar uma infantilização da pessoa idosa e aquele que sempre cuidou de sua família agora será o "cuidado". Nessa problemática, vejo dois extremos na maneira como o idoso é tratado: de um lado o abandono e descaso, restringindo o idoso do convívio familiar; e de outro, o idoso que vai morar com familiares – algumas vezes saindo do seu lar, perdendo seu espaço e a autonomia sobre suas decisões.
Preocupações com quedas, locomoção, alimentação e segurança, entre outros, estão presentes no dia a dia de uma família com idosos e culturalmente temos a tendência a acreditar que familiares que prezam pelos seus antecessores são aqueles que os trazem para morar dentro de suas casas, sob seus cuidados, acreditando que um idoso morando sozinho é sinal de abandono ou descaso.
Mas será que essa decisão não restringe a independência dos idosos? O que significa independência para cada um de nós? Estamos dando a oportunidade para que os idosos mantenham a sua independência?
Nosso país está envelhecendo e nossos idosos querem viver só (e não solitários), preservar sua autonomia. Dados recentes do IBGE mostram que em 20 anos, entre 1992 e 2012, a parcela de idosos que mora sozinha triplicou, passando de 1,1 milhão para 3,7 milhões, um aumento de 215%. E entre os idosos que moram sozinhos, 65% são mulheres. A escolha entre morar sozinho, ou não, deve ser exclusivamente do idoso, e a família pode apoiá-lo ajudando-o nessa decisão e oferecendo subsídios para torná-la a mais segura e acertada possível.
A teleassistência é um serviço que existe há décadas no exterior, está em franca expansão em nosso país, e vem ao encontro dessa necessidade. Por meio de um sistema, a pessoa idosa consegue morar só e no caso de uma queda ou emergência pode solicitar ajuda ao simples toque de um botão. Esse serviço assegura a independência e oferece tranquilidade a os familiares.
Nesse dia, deixemos as inseguranças e medos que sentimos, pois não existe prova maior de amor do que colocar a felicidade do outro acima de nossos interesses – ainda mais quando isso significa garantir a segurança, autonomia e independência da pessoa que sempre foi tão importante para nós.

JULIANA BARBIERO é executiva do setor de teleassistência em São Paulo

■ Os ar­ti­gos de­vem con­ter da­dos do au­tor e ter no má­xi­mo 3.800 ca­rac­te­res e no mí­ni­mo 1.500 ca­rac­te­res. Os ar­ti­gos pu­bli­ca­dos não re­fle­tem ne­ces­sa­ria­men­te a opi­nião do jor­nal. E-­mail: opi­niao@fo­lha­de­lon­dri­na.com.br

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