Retrato de uma indignação
Rosana Peres


Vivemos em um mundo assolado pela miséria financeira, cultural e intelectual, mas a pior de todas ainda é a miséria ética e moral que devassa toda a humanidade. A miséria financeira nos priva de bens materiais; mas a ética, a moral e a indiferença ceifa nossos bens essenciais que é a dignidade e os valores enquanto seres humanos. Estamos em um ano eleitoral, ano em que muitos políticos aparecem com sorrisos e "tapinhas nas costas", abraçando e beijando as pessoas com promessas nas quais nem eles acreditam, e querem que "os tolos" acreditem.
O que mais me entristece e inquieta é o que assistimos diariamente na mídia que são os sofrimentos dos profissionais da educação, professores no exercício das suas profissões, que deveriam ser respeitados e valorizados, estão sendo ceifados em sua integridade física e moral. Recentemente na Região Metropolitana de Curitiba, um menor protagonizou um triste cenário: a professora ao tentar impor regras, limites e sua autoridade em sala, nada mais do que natural, foi surpreendida pelas costas com mais de dez facadas por seu aluno. Esta é apenas uma entre tantas outras agressões físicas e/ou verbais contra o professor.
Onde estão os responsáveis? Quais são os valores pregados na sociedade? De quem é a culpa? Da família que não age, nem reage e fica submissa aos menores, preenchendo a lacuna da carência afetiva com bens materiais? Da sociedade que sobrepuja valores morais e éticos em favor do consumismo? Dos governantes que têm a supremacia e o poder de criar e transformar leis e políticas públicas em geral e não o fazem? Onde estão esses gestores da administração pública quando um professor se torna refém daqueles que deseja educar?
Se queremos uma sociedade justa, igualitária e solidária, devemos começar com um simples gesto, e isto, requer atitudes e participação de todas as esferas e instâncias. No entanto, aquele que mais pode fazer, deve contribuir mais. E, então governantes, vão fazer o quê?

ROSANA PERES é professora da rede estadual de Londrina




Pluralismo político e reforma eleitoral
Felipe Augusto Mazzarin do Lago Albuquerque


O pluralismo político é um dos princípios fundamentais da República Federativa do Brasil e uma verdadeira conquista do povo que há não muito tempo era refém da polarização eleitoral que impedia a representação dos novos anseios da sociedade. Atualmente, existem 32 partidos políticos registrados no TSE e outros tantos em processo de criação, cada um adotando uma ideologia própria. Mas será que existem tantas ideologias diferentes assim?
A proliferação de coligações eleitorais demonstra que não. Inúmeros partidos se aliam em torno de determinado candidato e buscam juntos a conquista do poder em determinada localidade, revelando uma aparente similitude de ideais. Uma rápida pesquisa na Justiça Eleitoral e se constata que nos cinco maiores colégios eleitorais do País (SP, RJ, MG, BA e RS), que possuem mais de 50% do eleitorado nacional, apenas 18 partidos lançaram candidatos a governador, sendo que nove participam das eleições em apenas um desses Estados. Os últimos cinco partidos que obtiveram registro a partir das eleições de 2010, criados certamente sob pretexto de apresentar novas ideias ao país, não possuem nenhum candidato a governador nesses colégios eleitorais.
Sabendo-se que em um regime presidencialista o Poder Executivo possui papel preponderante na escolha dos rumos da nação, como esses partidos que se limitam a apoiar candidaturas de terceiros pretendem aplicar suas diferentes ideologias?
Há necessidade de se criarem tantos partidos quando um mesmo candidato pode representar o interesse de mais de dez deles?
Acredito que não, de forma que uma reforma eleitoral se torna necessária para coibir a prática atual de manutenção de partidos que se destinam apenas à negociação de segundos de propaganda eleitoral obrigatória por meio da composição de coligações.

FELIPE AUGUSTO MAZZARIN DO LAGO ALBUQUERQUE é servidor público em Campo Mourão

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