No dicionário, "idiota" significa tolo, pateta, denotando a incapacidade de passar ideias. Vulgarmente, um idiota é um sujeito imbecil e desprovido de inteligência. Todavia, poucos sabem ou buscam saber a sua origem que está ligada à política, tema este motivo de repúdio e até raiva por parte de nós, povo brasileiro, no entanto, fundamental para a nação.
Do grego "idiótes" a acepção original, idiota designava o cidadão privado, alguém que se dedicava apenas aos assuntos particulares, preocupando-se apenas com o próprio umbigo em oposição ao cidadão que ocupava algum cargo público ou participava dos assuntos de ordem pública. O termo evoluiu de forma depreciativa para caracterizar uma pessoa ignorante, simples, sem educação.
Em suma, para os gregos, o "idiota" fecha os olhos para a política que é a arte de conviver em sociedade de modo a buscar o equilíbrio social pela eleição de candidatos que representem determinado povo num espaço, seja em um estado, cidade ou país. Para eles, aqueles que cuidavam da vida pública, eram chamado de político. E se entendia que todos eram e deveriam ser políticos. O homem é "ens sociele" por natureza, ou seja, um ser social que convive com outros indivíduos e que para tal é indispensável a política. E, partindo da sabedoria grega, é possível fazer uma breve analise da "idiotice" do povo brasileiro.
É sabido, que o Brasil passa por momentos delicados no que tange a seus políticos. Diariamente ecoam notícias acerca de corrupção, má administração do patrimônio público, uma disposição em acumular recursos públicos de maneira indevida e descaradamente. Tem sido assim, e desse modo foi neste país. Esses fatos nutrem o repúdio e a descrença do cidadão para com seus eleitos. Por conseguinte, a crítica aos políticos tem sido assunto constante em salas de aula, nos lares, bares e nas redes sociais, onde é possível encontrar charges, comentários e movimentos em desfavor de nossos políticos.
É perceptível que estamos em meio a uma crise política. A realidade pode ser desalentadora, que estamos num mar repleto de corruptos e oportunistas, já é cógnito. Nossa imagem perante o mundo pode estar manchada, nossas escolas continuam falhando, a saúde é precária. Esses são os indicadores de uma crise, sujeito a dados e estatísticas. Menos mensurável, mas não menos profundo é o desgaste de confiança em todo nosso país. Um receio de que momentos ainda mais difíceis estão por vir.
Diante do atual cenário, faz-se necessário partimos para um novo mar, onde há pessoas que ao invés de ficar em suas casas, computadores e bares falando mal de político e política, que passem a assumir que o político de verdade está em cada um de nós. Que cada brasileiro comece a fazer política, seja em seu bairro, sua cidade ou até mesmo no país. Somente assim, contribuiremos de forma efetiva e, assim, deixaremos de ser um mero "idiota". Essa é a tarefa de nossa geração – transformar o povo como protagonista da política de seu país, uma disposição em fazer cobranças necessárias, ter os olhos vigilantes perante os governantes, mas também de agir.
Temos de agir. Temos de agir sabendo que o nosso trabalho será imperfeito. Devemos agir sabendo que haverá vitórias parciais e que, portanto, ficará a cargo daqueles que estarão aqui em quatro anos, em 40 anos, mas cabe a essa geração dar um passo à frente e assim avançar em direção ao progresso.
Uma nova crença deve surgir, que podemos agarrar esse futuro juntos, porque não somos tão ignorantes quanto nossa política leva a pensar. Não somos tão inferiores como os estrangeiros pensam. Os recursos naturais deste país são abundantes, possuímos muita riqueza e temos capacidade de gerar muito mais. Somos maiores que nossas ambições individuais, somos mais que um conjunto de Estados verde, amarelo, azul e branco. Somos e seremos para sempre a República Federativa do Brasil, um país feito do povo e para o povo que rejeita e rejeitará cidadãos "idiotas".

JHONAS GERALDO PEIXOTO FLAUZINO é estudante de Direito em Londrina

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